Na busca por tratamentos contra o câncer, os pesquisadores usam estruturas chamadas “esferoides tumorais”. Agora surgiu uma nova forma de produzir estas estruturas utilizando componentes simples, tornando possível produzir estas valiosas ferramentas de investigação de forma barata e fiável.

No mundo da pesquisa sobre o câncer, criar esferóides tumorais e transformá-los em tumores cancerígenos intactos é uma parte importante dos testes de medicamentos anticâncer e outras abordagens anticâncer. Os tumores cultivados em laboratório ajudam a replicar o que acontece no corpo à medida que o câncer se espalha, proporcionando uma oportunidade mais “realista” de testar com precisão a quimioterapia e outros tratamentos.

Por exemplo, as células na parte central de um tumor tornam-se frequentemente hipóxicas, o que significa que recebem menos oxigénio do que as células circundantes, tornando-as mais capazes de resistir a medicamentos concebidos para as destruir. As culturas de esferóides tumorais ajudam a reproduzir essa condição e fornecem aos pesquisadores melhores ferramentas para confundir a condição melhor do que usando culturas de laboratório 2D.

Pesquisadores do Brigham and Women's Hospital (BWH), em Boston, apontam que os métodos atuais de produção de esferóides tumorais são caros e demorados e podem levar a resultados inconsistentes. Para resolver esse problema, eles criaram um dispositivo chamado “faça você mesmo” que custa menos de US$ 7 em peças e pode gerar 4.000 esferas tumorais por minuto.

O dispositivo consiste em um bocal que ejeta células cancerígenas suspensas em uma solução de algas. O spray passa por uma área onde um simples motor vibratório – os mesmos usados ​​em celulares para alertar os usuários quando o som está desligado – sacode a solução, fazendo com que as partículas pulverizadas evitem se aglomerar e se formem em partículas de tamanhos uniformes.

O método conseguiu atingir esse objetivo, e os pesquisadores descobriram posteriormente que, à medida que os esferóides eram cultivados, eles se transformavam em tumores que imitavam as características dos tumores in vitro, incluindo a formação de um núcleo hipóxico resistente a medicamentos. Eles também responderam conforme esperado à intervenção quimioterápica.

“Desenvolvemos um método DIY simples para testes pré-clínicos confiáveis ​​de medicamentos anticâncer”, disse o coautor do estudo, Hae Lin Jang, do BWH Center for Engineering Therapeutics. "O custo do equipamento é muitas vezes uma barreira para a investigação do cancro. Sistemas de baixo custo e simples de operar como o nosso são essenciais para democratizar a investigação do cancro e tornar a ciência mais acessível."

Para esse fim, a equipa de investigação está a disponibilizar a sua abordagem DIY a outros cientistas num artigo publicado esta semana na revista Devices.

"Em resumo, prevemos que a orientação passo a passo fornecida neste estudo será útil na criação desta ferramenta simples em todos os laboratórios de biologia do câncer. A facilidade de uso e a rápida geração de esferoides tumorais padronizados podem fornecer uma plataforma poderosa para testar mecanismos moleculares e rastrear medicamentos sob condições que reflitam melhor o ambiente fisiopatológico", escreveram os pesquisadores.