Em muitos casos, as pessoas cegas não precisam necessariamente ver o que estão segurando (e certamente não podem), elas só precisam de alguém que lhes descreva o que estão segurando. Um novo dispositivo experimental vestível chamado AiSee foi projetado para atingir esse objetivo. Desenvolvido ao longo de cinco anos por uma equipe de cientistas da Universidade Nacional de Cingapura, o AiSee parece um conjunto normal de fones de ouvido de condução óssea, presos por uma faixa que passa pela nuca do usuário.
O principal objetivo desta tecnologia é fazer com que os usuários não se sintam inferiores, como poderia acontecer se estivessem usando algo mais atraente, como “óculos inteligentes” especiais.
Um fone de ouvido possui uma câmera frontal de 13 megapixels integrada que captura o campo de visão do usuário, enquanto o outro possui uma interface touchpad em sua superfície externa. O aparelho abriga um microprocessador e bateria de lítio na parte traseira, permitindo a conexão à internet sem fio.
Quando um usuário pega um item, como durante as compras de supermercado, ele tira uma foto dele usando a câmera embutida. A imagem será processada em tempo real por um algoritmo de inteligência artificial baseado em nuvem que analisa dados como formato, tamanho e cor do item, além do texto impresso na etiqueta.
Se for encontrada uma correspondência para um objeto conhecido, uma voz sintetizada no fone de ouvido informa ao usuário o que é. Caso o usuário precise de mais informações, basta perguntar verbalmente e esperamos que a IA saiba e forneça a resposta.
É importante ressaltar que o AiSee não requer conexão com smartphone ou qualquer outro dispositivo, tornando tudo mais simples. Além disso, como os fones de ouvido de condução óssea não cobrem os ouvidos, os usuários ainda conseguem ouvir o mundo ao seu redor.
Os cientistas estão atualmente trabalhando para tornar a tecnologia mais acessível e ergonômica, na esperança de aumentar a velocidade de processamento e melhorar os algoritmos de reconhecimento de objetos.
“Atualmente, as pessoas com deficiência visual em Cingapura não têm acesso a essa tecnologia avançada assistida por IA”, disse o cientista-chefe, professor associado Suranga Nanayakkara. "Como tal, acreditamos que o AiSee tem o potencial de capacitar pessoas com deficiência visual a realizar de forma independente tarefas que atualmente requerem assistência."
O dispositivo é demonstrado no vídeo abaixo.