As alterações climáticas parecem estar a trazer tempestades mais frequentes e mais fortes, e a ameaça pode não ser devidamente comunicada aos que estão na linha da frente. Agora, os cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley acreditam que as tempestades de categoria 6 têm espaço para crescer em intensidade – cinco tempestades já atingiram essa intensidade na última década.
Atualmente, o Centro Nacional de Furacões usa um padrão chamado Escala de Vento Saffir-Simpson para classificar a intensidade dos furacões no Hemisfério Ocidental e lembra as pessoas da região de tomarem as devidas precauções. A escala Saffir-Simpson é baseada na velocidade média máxima do vento de uma tempestade durante um minuto - furacões de categoria 1 têm ventos de 74 mph (119 km/h) e depois passam por diferentes limites até a categoria 5, que tem ventos superiores a 157 mph (252 km/h).
Mas com os ventos a tornarem-se exponencialmente mais prejudiciais e os furacões a aumentarem de intensidade nos últimos anos, os cientistas do Berkeley Lab e da First Street Foundation não têm a certeza de que a escala reflita toda a história.
“A nossa motivação foi reconsiderar como a natureza aberta da escala Saffir-Simpson pode levar à subestimação do risco, especialmente como tal subestimação se torna cada vez mais problemática num mundo em aquecimento”, disse Michael Weiner, principal autor do estudo.
As tempestades tropicais formam-se quando as águas quentes dos oceanos interagem com o ar quente e húmido, e estas temperaturas estão a aumentar rapidamente devido às alterações climáticas induzidas pelo homem. Isto parece não apenas aumentar a intensidade do furacão, mas também aumentar a taxa com que ele se torna mais poderoso.
No novo estudo, a equipe adicionou uma categoria hipotética à escala. Com base no âmbito das categorias inferiores, sugeriram que a Categoria 5 incluiria tempestades com ventos entre 157 e 192 mph (252 e 309 km/h), enquanto a nova Categoria 6 incluiria quaisquer tempestades com ventos acima desse limite.
Os investigadores analisaram dados históricos de furacões de 1980 a 2021 e encontraram cinco tempestades que foram fortes o suficiente para atingir a hipotética categoria 6. Estas incluem o furacão Patricia, o ciclone tropical mais poderoso já registado que atingiu a América Central em 2015 com ventos de até 215 mph (345 km/h).
É preocupante, mas talvez não surpreendente, que todos os cinco hipotéticos furacões de categoria 6 tenham ocorrido nos últimos nove anos. Isto demonstra o impacto das alterações climáticas na intensidade dos furacões. A equipa de investigação reconhece que este estudo não é uma recomendação formal para reestruturar a escala Saffir-Simpson, mas pretende chamar a atenção para as suas potenciais deficiências.
“As mensagens sobre o risco de ciclones tropicais são um tema muito activo e há uma necessidade de mudar as mensagens para melhor informar o público sobre as inundações interiores e as tempestades, para as quais as escalas de vento baseadas no vento estão apenas marginalmente relacionadas”, disse James Kossin, co-autor do estudo. "Embora adicionar uma categoria 6 à escala de ventos de furacões Saffir-Simpson não resolva este problema, aumentará a consciência sobre os perigos do aumento do risco de grandes furacões devido ao aquecimento global."
A pesquisa foi publicada no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).