Aplicar choque elétrico a uma lombriga de 1 mm de comprimento parece difícil de explicar, mas cientistas da Universidade da Cidade de Nagoya usaram esse estímulo especial para descobrir alguns comportamentos estranhos de Caenorhabditis elegans. Esses comportamentos podem aprofundar ainda mais nossa compreensão dos mecanismos emocionais humanos e, então, tratar doenças.

Caenorhabditis elegans tem sido um importante tema de pesquisa para a medicina e terapêutica humana (como o estudo de mecanismos antienvelhecimento) porque compartilham genes e outras semelhanças biológicas surpreendentes.

Neste estudo, C. elegans foi estimulado eletricamente e começou a se afastar do estímulo em alta velocidade. Embora isso não seja incomum, já que a maioria dos animais foge instintivamente do perigo percebido, esses vermes continuaram a “correr” por um a dois minutos após a interrupção da estimulação. Na maioria dos animais, o comportamento anormal cessa quando a estimulação cessa.

“Descobrimos inesperadamente que as respostas de alta velocidade do C. elegans persistiram após o choque elétrico”, observaram os pesquisadores.

Os pesquisadores acreditam que o comportamento dos vermes sugere um mecanismo único em funcionamento que se assemelha a uma resposta emocional primitiva. Corroborando isso, os vermes também ignoraram sua prioridade alimentar habitual, as bactérias, em favor do que consideravam mais importante para a sobrevivência. Como também utilizam fontes alimentares para ler informações ambientais críticas para a sua sobrevivência, esta é uma mudança inesperada em relação ao comportamento primitivo e instintivo.

“O facto de não terem respondido à comida durante e após a nossa estimulação eléctrica também pode ser uma evidência de que os estados emocionais induzidos electricamente influenciam as respostas à comida, que é um estímulo completamente diferente”, observam os investigadores. “Tomados em conjunto, estes resultados podem sugerir que a resposta dos animais ao choque eléctrico representa uma emoção, talvez semelhante ao medo”.

Nem todos os worms se comportam da mesma forma. A análise genética mostra que alguns animais, com mutações em determinados genes, são incapazes de produzir neuropeptídeos, que são semelhantes aos hormônios humanos. Nestes vermes, o comportamento de corrida dura muito mais tempo do que em outros animais.

Esta resposta de “medo” mais duradoura dá aos cientistas pistas sobre o grande papel que a genética pode desempenhar na regulação emocional – tanto no bem estudado verme C. elegans como nos humanos.

As respostas emocionais aos estímulos podem não ser naturalmente atenuadas, mas podem ser atenuadas por mecanismos genéticos que controlam a sua atividade. Os investigadores acreditam que pode haver novos genes que regulam as respostas emocionais, proporcionando novas formas de tratar doenças como a depressão e a ansiedade.

Estudos anteriores sobre o comportamento neurossensorial destes minúsculos vermes examinaram as suas capacidades de processamento, e outro estudo também observou o seu comportamento aversivo em resposta a estímulos térmicos.

A pesquisa mais recente foi publicada na revista Genetics.