Uma análise do genoma derruba uma hipótese importante sobre a origem dos vaga-lumes. A hipótese é que a luz brilhante emitida por muitas espécies da família de besouros Lampyridae - mais conhecidas como vaga-lumes - evoluiu originalmente como um sinal de alerta para predadores, indicando a toxicidade dos vaga-lumes, e foi então reaproveitada como um sinal de acasalamento. Esta explicação poderia explicar por que ovos, larvas e pupas também brilham.
YingZhen e seus colegas testaram a sabedoria convencional ao compilar uma árvore genealógica de vaga-lumes e traçar a evolução das lucibufaginas, os compostos que tornam os vaga-lumes tóxicos. A equipe coletou amostras frescas de 16 espécies de Lampyridae, bem como duas espécies relacionadas, de diferentes locais da China, que analisaram juntamente com coleções anteriores e dados genéticos. No total, os autores compilaram dados ao nível do genoma para 41 espécies. Para cada espécie, os autores também usaram cromatografia líquida-espectrometria de massa para procurar lucibufaginas.
A equipe conseguiu mostrar que as lucibufaginas são encontradas apenas em uma subfamília de vaga-lumes, enquanto a bioluminescência é generalizada em toda a família, sugerindo fortemente que esta toxina evoluiu após o desenvolvimento da bioluminescência.
Então, por que os vaga-lumes começam a brilhar? A luciferina, o substrato da bioluminescência do vaga-lume, já demonstrou ter propriedades antioxidantes. YingZhen e seus colegas descobriram que os ancestrais dos vaga-lumes evoluíram e se diversificaram durante um período histórico em que os níveis de oxigênio atmosférico continuaram a subir de mínimos históricos após o evento anóxico Toarciano-Oceânico.
Os autores também observam que se pensa que os milípedes brilhantes desenvolveram originalmente a bioluminescência em resposta ao stress oxidativo em ambientes quentes e secos, sugerindo que os vaga-lumes podem ter seguido um caminho semelhante.