Cientistas da Universidade de Yale e do Southwest Research Institute (SwRI) afirmam ter obtido algumas informações novas e valiosas sobre a história do ouro. Uma nova pesquisa oferece uma teoria de como o ouro, a platina e outros metais preciosos chegaram às camadas superficiais do manto da Terra. A história começa com colisões violentas de grandes objetos no espaço, continua na região semi-derretida do manto terrestre e termina com o metal precioso encontrando um local de descanso improvável, muito mais próximo da superfície do planeta do que os cientistas esperavam.
Representação artística de uma grande colisão na Terra primitiva. Cientistas de Yale e do SwRI propuseram uma nova teoria para explicar por que o ouro e a platina estão mais próximos da superfície da Terra, concentrando-se numa região "transitória" única do manto que retém e distribui estes metais. Fonte: SwRI/Marchi
Ezoic Jun Korenaga, professor de ciências da Terra e planetárias na Escola de Artes e Ciências de Yale, e Simone Marchi, pesquisadora do SwRI em Boulder, Colorado, fornecem detalhes em um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A sua nova teoria oferece uma possível resposta à questão não respondida de como o ouro, a platina e outros metais preciosos chegaram às camadas superficiais do manto da Terra, em vez de penetrarem profundamente no seu núcleo. De forma mais ampla, a nova teoria lança luz sobre como os planetas se formam em todo o universo.
“Nosso estudo é um grande exemplo de como reexaminamos a sabedoria convencional e fizemos descobertas inesperadas”, disse Korenaga.
As pesquisas mais recentes de cientistas de todo o mundo confirmam que há bilhões de anos, a proto-Terra primitiva colidiu com um grande corpo celeste do tamanho da Lua no espaço, deixando para trás depósitos de materiais que se dobraram na Terra de hoje. Mas este processo de absorção sempre foi um mistério.
Além de serem valorizados pela escassez, beleza e uso em produtos de alta tecnologia, o ouro e a platina também são chamados de elementos altamente “ferrófilos”. A sua adesão ao ferro é tão forte que se acumulariam quase inteiramente no núcleo metálico da Terra - fundindo-se directamente com ele no momento do impacto ou afundando-se rapidamente do manto para o núcleo. Por essa lógica, eles não deveriam estar agrupados na superfície da Terra ou perto dela. No entanto, eles se reúnem.
A teoria de Korenaga e Marchi gira em torno de uma fina região “transitória” no manto onde as partes rasas do manto derretem enquanto as partes mais profundas permanecem sólidas. Os pesquisadores descobriram que esta região possui propriedades dinâmicas especiais que prendem efetivamente os componentes metálicos em queda e os transportam lentamente para outras partes do manto.
Eles teorizam que este transporte ainda está em curso, com os restos da região transitória aparecendo como “grandes zonas de baixa velocidade de cisalhamento” – anomalias geofísicas bem conhecidas nas profundezas do manto da Terra.
Marchi: "Essas regiões transitórias foram quase sempre formadas quando grandes impactores atingiram a Terra primitiva, o que torna a nossa teoria bastante confiável."
A nova teoria não só explica aspectos anteriormente incompreensíveis da evolução geoquímica e geofísica da Terra, mas também destaca a vasta gama de escalas de tempo envolvidas na formação da Terra, disseram os investigadores.
"Um dos fenómenos surpreendentes que descobrimos é que as mudanças dinâmicas na região transitória do manto ocorrem num tempo muito curto - cerca de um dia, mas o seu impacto na evolução subsequente da Terra dura milhares de milhões de anos", disse Korenaga.