Mesmo com o aquecimento do planeta, partes dos EUA ainda sofrerão com o inverno rigoroso, e os cientistas agora têm uma ideia mais clara do motivo. Uma equipe de pesquisadores descobriu dois padrões distintos no vórtice polar, uma massa de ar frio e rodopiante no alto da estratosfera. Esses padrões influenciam o destino do ar mais frio do Ártico. Um padrão tende a enviar temperaturas congelantes para o noroeste dos Estados Unidos, enquanto o outro empurra o ar frio para as regiões central e oriental.

Embora o inverno esteja geralmente ficando mais quente nos Estados Unidos, fortes ondas de frio ainda atingem grande parte do país com intensidade alarmante. Um estudo recente fornece novos insights sobre esse aparente paradoxo. A razão pode estar na evolução da estratosfera, 16 quilômetros acima do solo.

O estudo foi realizado por uma equipe internacional de cientistas. As suas descobertas, publicadas na revista Science Advances, destacam como dois padrões diferentes no vórtice polar estratosférico, uma faixa de ar extremamente frio que flui sobre o Árctico, podem levar a fortes ondas de frio em diferentes partes dos Estados Unidos.

“O público ouve frequentemente falar de um ‘vórtice polar’ quando o inverno traz frio intenso, mas queríamos aprofundar e compreender como as mudanças neste vórtice afetam quando e onde o frio extremo ocorre”, disseram os investigadores.

A equipe encontrou duas variações diferentes do vórtice polar, ambas associadas ao que os cientistas chamam de vórtice “esticado” – um padrão de circulação distorcido e deslocado que causa condições climáticas incomuns na superfície.

  • Uma dessas mudanças empurrou o vórtice em direção ao oeste do Canadá, preparando o terreno para um frio intenso no noroeste dos Estados Unidos.

  • Outro empurra o vórtice em direção ao Atlântico Norte, liberando ar gelado no centro e no leste dos Estados Unidos.

Ambos os casos estão relacionados com mudanças na forma como as ondas atmosféricas saltam ao redor do globo – essencialmente alterando a corrente de jato e arrastando o ar do Ártico para o sul.

Talvez o mais surpreendente seja o facto de as temperaturas no Inverno terem continuado a cair em grande parte do noroeste dos Estados Unidos desde 2015, contrariando a tendência geral de aquecimento. Os investigadores atribuem esta mudança a um aumento na frequência de padrões de vórtices orientados para oeste, que também coincide com um aumento na fase negativa do El Niño/Oscilação Sul (ENSO), um dos principais impulsionadores do clima global.

“As alterações climáticas significam não apenas o aquecimento global, mas também mudanças mais complexas e por vezes contra-intuitivas nos locais onde ocorrem condições meteorológicas extremas”, explicaram os investigadores.

As descobertas ajudam a explicar as recentes ondas de frio em lugares como Montana, as planícies dos EUA e até mesmo o Texas, como a que ocorreu em fevereiro de 2021 (que resultou em mortes dispendiosas e perdas de seguros), enquanto outras áreas podem experimentar invernos mais amenos. Compreender o impacto da estratosfera nos padrões climáticos pode melhorar as previsões a longo prazo, permitindo que as cidades, as redes eléctricas e a agricultura se preparem melhor para o Inverno extremo, mesmo quando o clima aquece globalmente.

Compilado de /scitechdaily