Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), em Belém, Brasil, 53 chefes de estado reuniram-se para comemorar 30 anos de negociações climáticas. Contudo, a realidade é desanimadora: as emissões globais de gases com efeito de estufa aumentaram 34% em comparação com 1995 e o progresso na redução das emissões está muito aquém da meta. Em 2024, a temperatura global ultrapassará pela primeira vez a linha de alerta pré-industrial de 1,5°C, e o consumo de combustíveis fósseis permanecerá elevado, especialmente impulsionado pelo aumento da procura de energia para centros de dados de IA.

Durante a reunião, o Brasil anunciou a criação do “Tropical Forest Forever Facility” (Floresta Tropical Para Sempre), com meta de arrecadar US$ 125 bilhões para pagar incentivos aos países que protegem as florestas. Atualmente, 53 países apoiaram-no e comprometeram mais de 5,5 mil milhões de dólares em fundos. O presidente brasileiro Lula chamou a medida de “a primeira vez que o Sul global assume um papel de liderança na agenda florestal” e planeja proteger mais de 1 bilhão de hectares de terras florestais até 2030.
Simon Steel, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, defendeu a cooperação climática multilateral, dizendo que sem um mecanismo de negociação climática, o aquecimento humano pode ter-se aproximado dos 5°C, mas as actuais previsões do modelo caíram para menos de 3°C. No entanto, o enviado climático do Panamá, Monterrey, salientou: “De facto, houve progresso nos últimos 30 anos, mas está longe de ser suficiente para cumprir a promessa”.
Anteriormente, a administração Trump retirou-se do Acordo de Paris e classificou as alterações climáticas como a “farsa do século”. O presidente colombiano, Petro, disse sem rodeios que “Trump é anti-humanidade”, e o primeiro-ministro britânico Starmer alertou que “o consenso climático global está em colapso”.