Recentemente, um novo estudo arqueológico revelou o mistério da dieta humana pré-histórica na Europa Oriental, subvertendo o estereótipo popular dos primeiros pescadores caçadores-coletores que “sobreviviam apenas de peixes”. Em vez de “comer o que têm”, eles cozinharão conscientemente uma variedade de plantas e peixes na mesma panela para criar pratos mistos com características regionais distintas, tornando gradualmente clara a aparência da “cozinha pré-histórica” de milhares de anos atrás.

O estudo, realizado por uma equipe interdisciplinar de cientistas, analisou 58 fragmentos de cerâmica datados de 5 mil a 8 mil anos atrás (6 mil a 3 mil aC). Essas amostras vêm de diferentes ambientes ecológicos, como costas, lagoas, margens de rios e lagos, e todas apresentam uma grande quantidade de resíduos de carvão marrom-escuro em suas superfícies, fornecendo pistas valiosas para a restauração de dietas pré-históricas. A equipe de pesquisa utilizou técnicas como observação microscópica, análise lipídica e isotópica para identificar com precisão os resíduos de alimentos presos à cerâmica. Para verificar os resultados da interpretação, eles também copiaram os potes de cerâmica pré-históricos, cozinharam a fórmula experimental em fogo aberto e compararam os resíduos recém-gerados com amostras pré-históricas.

A análise mostra que estas comunidades pré-históricas costumavam utilizar gramíneas selvagens, legumes, frutas e bagas, vegetais de folhas verdes e raízes nativas. Entre eles, vestígios de plantas leguminosas selvagens (possivelmente trevo), sementes de gramíneas, farelo e cevada foram detectados em fragmentos de cerâmica da bacia do rio Don, na Rússia, indicando que os residentes locais tinham consumido uma grande quantidade de cereais; relíquias do curso superior do rio Volva e da bacia do rio Nieper eram ricas em bagas de viburnum e sementes de plantas Amaranthaceae; vestígios de lipídios de peixes de água doce foram evidentes em fragmentos de cerâmica da região do Mar Báltico, e também foram encontrados ingredientes como frutas vermelhas e beterraba marinha. Foram também detectados vestígios de produtos lácteos num local na Dinamarca, sugerindo que os pescadores locais podem ter comunicado com grupos agrícolas vizinhos e introduzido produtos lácteos nos seus pratos.

Experimentos de culinária simulados confirmaram ainda que a equipe de pesquisa usou bagas de viburnum e plantas de amaranto com peixes de água doce e os cozinhou em diferentes temperaturas de calor, e o resíduo produzido era altamente consistente com amostras pré-históricas.

Os pesquisadores descobriram que diferentes regiões têm combinações fixas de alimentos: "bagas + peixes de água doce" são comuns no curso superior do rio Volga e na região do Mar Báltico, "peixes + gramíneas selvagens + feijão" são preferidos na bacia do rio Don, e "peixes + vegetais de folhas verdes" são usados ​​​​principalmente em outras regiões, refletindo o estilo alimentar único formado pelos ancestrais com base nos recursos locais.

Este estudo não só restaurou o quadro completo da dieta dos pescadores pré-históricos da Europa Oriental,Prova também que há muito que abandonaram a sua existência faminta e aprenderam a misturar activamente ingredientes e a criar pratos saborosos, o que fornece uma base importante para o estudo da sabedoria de vida e da cultura alimentar dos humanos pré-históricos.