As imagens mais recentes mostram uma nova e brilhante cratera de impacto na superfície da Lua, provando mais uma vez que os impactos de asteroides ainda estão remodelando esta companheira da Terra “aparentemente estacionária”. Os cientistas apontam que por trás das conhecidas “nuvens crescentes e minguantes” da Lua, ela não apenas registra a história de bombardeios violentos de bilhões de anos atrás, mas também continua a testemunhar as pequenas, mas reais, mudanças que ainda acontecem hoje.

Nos primeiros dias do sistema solar, a Lua sofreu impactos celestes durante bilhões de anos. Grandes bacias foram preenchidas com lava, formando um grande “mar lunar” escuro visível a olho nu, que constituía imagens clássicas na cultura humana como o “rosto na lua”. Embora a “era de ataque” que formou a bacia gigante tenha terminado há cerca de 3,8 mil milhões de anos, asteróides e cometas ainda atingem a Lua de vez em quando, deixando crateras pequenas e relativamente jovens.
Como é extremamente difícil “capturar” diretamente o momento do impacto, os pesquisadores geralmente procuram vestígios dessas novas crateras posteriormente, comparando imagens de alta resolução obtidas em momentos diferentes. Esta descoberta veio de uma equipe de câmeras a bordo do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA. Compararam imagens da mesma área antes de Dezembro de 2009 e depois de Dezembro de 2012, e identificaram uma nova cratera que não existia antes. Isto inferiu que o impacto ocorreu em algum momento durante esses três anos.
O novo poço tem cerca de 22 metros de diâmetro, aproximadamente a largura de uma casa grande. O que realmente entusiasma os cientistas não é o seu tamanho, mas o seu brilho incomum e estrutura clara: o impacto ejetou o material fresco mais brilhante no subsolo, a dezenas de metros de distância, formando “faixas de luz” que se espalharam radialmente ao redor da borda da cratera, como uma nova “sarda” que apareceu de repente em um rosto familiar.

No entanto, essas cenas de alto contraste não durarão para sempre. Com o tempo, os efeitos do "intemperismo espacial", como partículas do vento solar, bombardeio de micrometeoróides e raios cósmicos, erodem e escurecem o material fresco exposto à superfície. Ao longo de escalas de tempo de milhares a milhões de anos, esta cratera brilhante acabará por “derreter-se no fundo” e tornar-se indistinguível das inúmeras crateras antigas ao seu redor. Isto também explica por que as crateras de impacto formadas em tempos mais antigos geralmente não possuem faixas radiais conspícuas, enquanto crateras relativamente “jovens”, como a Cratera Tycho, formada há cerca de 108 milhões de anos, ainda possuem estruturas de luz deslumbrantes que podem ser identificadas a olho nu a partir da Terra.
A descoberta de novas crateras não só acrescenta outra “etiqueta de endereço” à Lua, mas também tem múltiplas implicações para a ciência planetária. Por um lado, ao contar o número e o tamanho das crateras recém-formadas no passado recente, os astrónomos podem estimar com mais precisão a actual taxa de impacto de pequenos corpos celestes, o que é crucial para avaliar os riscos enfrentados por futuras missões de exploração robótica e até mesmo por bases de aterragem lunares tripuladas. Por outro lado, rastrear a taxa à qual estas ejeções frescas diminuem e as paredes e bordas das crateras gradualmente tornam-se mais escuras ao longo do tempo pode ajudar a calibrar modelos que estimam a idade de diferentes áreas da superfície lunar com base na “densidade da cratera” e no “envelhecimento morfológico”.
Para as pessoas que estão habituadas a olhar para o céu noturno e a considerar a Lua como “antiga e inalterada”, tais descobertas também provocam uma subtil mas importante mudança de perspetiva: esta “face” que os humanos olham há dezenas de milhares de anos não está congelada fora do tempo, ainda está a mudar silenciosamente. Cada nova cratera é a mais recente nota de rodapé na evolução contínua do sistema solar, lembrando-nos que ainda hoje, este espaço aparentemente pacífico ainda esconde atividades cósmicas por vezes violentas.