Os cientistas desenvolveram um novo tipo de "barata ciborgue", um inseto modificado capaz de puxar centenas de vezes o seu próprio peso corporal. Este avanço pode abrir novos caminhos para robôs de busca e salvamento e aplicações de microengenharia.

A pesquisa, liderada por uma equipe da Universidade Nacional de Cingapura (NUS), implantou minúsculos dispositivos eletrônicos na barata americana comum (Periplaneta americana), incluindo uma pinça mecânica chamada “pinça” e um sistema de controle sem fio. O dispositivo tipo mochila instalado nas costas da barata pesa cerca de 1 grama e possui motor e bateria embutidos. Ele estimula eletricamente os nervos antenais da barata para guiar a direção de seu movimento.

Experimentos mostraram que essa barata semimecânica pode puxar objetos pesando até 60 gramas – o equivalente a mais de 20 vezes o seu próprio peso corporal (cerca de 3 gramas). Em cenários simulados de busca e resgate, ele navegou com sucesso por ruínas estreitas, escalou superfícies verticais e localizou e arrastou itens alvo com precisão. Os investigadores sublinham que este híbrido biomecânico combina a adaptabilidade natural das baratas com o controlo preciso da máquina, que é muito superior aos robôs puramente mecânicos.

“As baratas são naturalmente boas em navegar em ambientes complexos, apenas aumentamos sua força e controlabilidade”, disse o líder do projeto, Dr. Shiva Kumar. Esta tecnologia usa Bluetooth de baixo consumo e algoritmos de IA para obter controle remoto e tem bateria com duração de várias horas.

Este resultado foi publicado na última edição da revista "Advanced Intelligent Systems". No futuro, a equipe planeja otimizar o equipamento para alcançar o controle de grupo de múltiplas baratas para uso em busca e resgate em áreas de desastre ou inspeção de dutos e outros campos. No entanto, também surgiram questões éticas, incluindo o bem-estar animal e os potenciais impactos ecológicos.