Um novo estudo mostra que o popular medicamento para perda de peso GLP-1, Semaglutida, pode não apenas prevenir a degeneração da cartilagem em pacientes com osteoartrite (OA), mas também conseguir o reparo da cartilagem até certo ponto. Esta descoberta sugere o potencial do medicamento ter aplicações mais amplas além da perda de peso.

Desde que a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA aprovou a semaglutida para o tratamento da diabetes em 2017 e como auxiliar para perda de peso em 2021, as pessoas estão frequentemente familiarizadas com o medicamento sob marcas como Ozempic e Wegovy. Vários estudos nos últimos anos demonstraram a sua eficácia no tratamento de outros problemas de saúde. Por exemplo, ensaios clínicos em 2024 mostraram que o medicamento pode reduzir o risco de insuficiência renal e morte cardiovascular em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crónica; outros estudos apontaram que tem um impacto positivo na capacidade de exercício de pacientes com doença de Parkinson e pode ajudar a aliviar a atrofia cerebral e o declínio cognitivo em pacientes com doença de Alzheimer.
Agora, investigadores chineses revelaram um novo potencial off-label da semaglutida na prevenção e tratamento da artrite através de um estudo que combina amostras de ratos e humanos. Na fase de experimentos com animais, a equipe de pesquisa dividiu ratos obesos com artrite em dois grupos. O primeiro grupo recebeu semaglutida para reduzir o apetite, e o segundo grupo não recebeu tratamento medicamentoso, mas foi alimentado exatamente com a mesma quantidade de comida que o primeiro grupo sob estrito controle, garantindo assim que os dois grupos de camundongos perdessem o mesmo peso. Os resultados mostraram que apenas os ratos injetados com semaglutida apresentaram degeneração mais lenta da cartilagem, e os esporões ósseos, a inflamação das articulações e a dor também foram significativamente reduzidos. Este mecanismo prova que o efeito antiartrite provavelmente vem do próprio medicamento, e não simplesmente da redução física causada pela perda de peso.
Na parte do teste em humanos, a equipe de pesquisa dividiu 20 pacientes obesos com artrite no joelho em dois grupos. Um grupo recebeu apenas injeções regulares de lubrificação articular de ácido hialurônico, enquanto o outro recebeu semaglutida além das injeções. O acompanhamento após 24 semanas mostrou que apenas os pacientes do grupo de tratamento com semaglutida obtiveram melhorias significativas nos escores de função física e aumentaram a espessura da cartilagem em aproximadamente 17%. Embora os investigadores tenham admitido que este foi um ensaio preliminar de muito pequena escala e não controlou rigorosamente as variáveis de perda de peso dos pacientes humanos (o IMC dos pacientes no grupo de medicação caiu cerca de 8%, enquanto o peso do grupo de controlo permaneceu basicamente inalterado), este resultado ainda aponta para uma direção de exploração valiosa para superar a osteoartrite e promover a regeneração da cartilagem.
Embora Flavia Cicuttini, uma acadêmica da Universidade Monash na Austrália, não estivesse diretamente envolvida no projeto, ela liderou um estudo de revisão sistemática sobre o impacto dos medicamentos GLP-1 na osteoartrite em 2025. Ela concordou com os resultados deste estudo e apontou que a osteoartrite induzida pela obesidade envolve não apenas carga mecânica, mas também inflamação impulsionada pelo metabolismo, e os medicamentos GLP-1 podem ter um impacto profundo no metabolismo celular e na inflamação impulsionada pelo metabolismo. Além dos seus potenciais efeitos anti-inflamatórios, os investigadores acreditam que o aumento do medicamento na regeneração da cartilagem decorre de uma reação química em cadeia que melhora a forma como as células da cartilagem produzem energia, dando-lhes o poder de iniciar um processo de auto-reparação.
O resumo do estudo, publicado na revista Cell Metabolism, enfatiza: "A regulação energética ocorre em todas as fases da vida. Ao ajustar o metabolismo energético, os agonistas do receptor GLP-1 podem exercer benefícios em todo o sistema, além da regulação do açúcar no sangue. Esta regulação precisa do metabolismo pode ser a principal razão pela qual se mostra tão promissora em uma variedade de doenças, incluindo a osteoartrite".