O renomado físico francês e estrela da comunicação científica Étienne Klein teve seu doutorado revogado pela Universidade Paris Cité após uma investigação acadêmica que durou cerca de 20 meses devido a extenso plágio em sua tese de doutorado.

Klein é físico da Comissão Francesa de Energia Atômica e Energia Alternativa (CEA) e um comunicador científico altamente influente. Ele publicou mais de 30 livros populares de ciência e filosofia e apresenta um programa semanal de palestras sobre ciência na Rádio Cultura Francesa. Ele gozou de grande reputação entre a mídia e o público por muitos anos. Já em 2016, ele foi acusado de plagiar palavras de outras pessoas em trabalhos científicos populares muitas vezes, mas foi somente no verão de 2024 que a mídia estendeu as dúvidas aos próprios trabalhos acadêmicos.

Em agosto de 2024, a mídia francesa "Arrêt sur images" conduziu uma comparação linha por linha da tese de doutorado de Klein em filosofia da ciência concluída em 1999 e descobriu que cerca de 20% das páginas do artigo continham fragmentos plagiados. As fontes textuais envolvidas incluíam o escritor Albert Camus, o físico Louis de Broglie e até alguns membros da comissão de defesa de sua tese. Posteriormente, os meios de comunicação publicaram um longo artigo divulgando os resultados da sua investigação e mostrando ao público clips de comparação específicos, o que chocou a opinião pública e levou a Universidade de Paris a lançar um processo formal de investigação.

Depois de lançar uma investigação interna, a Universidade de Paris organizou especialistas para realizar uma revisão abrangente da tese de doutoramento. Com base em informações internas obtidas posteriormente por vários meios de comunicação, o relatório de investigação não publicado afirmou que foi encontrado conteúdo plagiado em quase dois terços das páginas em papel, excedendo em muito a proporção anteriormente divulgada durante autoverificações pelos meios de comunicação. Em junho de 2026, o Image Observer citou fontes anônimas dizendo que a escola havia determinado que Klein havia cometido plágio e revogou oficialmente seu doutorado. O jornal francês Le Monde também confirmou a orientação geral da conclusão da revisão de outra fonte independente.

Diante das investigações da mídia, a Universidade de Paris não anunciou diretamente a conclusão da investigação, mas também não negou a denúncia de revogação do diploma. O diretor da escola, Edouard Kaminski, disse em resposta por e-mail à revista Science que a escola não poderia comentar publicamente ou divulgar detalhes devido a restrições legais sobre indivíduos específicos e informações relevantes, mas também destacou que a escola "não emitiu qualquer declaração negando relatos da mídia". Esta declaração foi considerada pelo mundo exterior como uma aquiescência de facto à decisão de cancelamento.

Em relação a este incidente, Klein não respondeu aos vários pedidos de comentários da revista Science. No entanto, ele publicou uma carta aberta de quatro páginas por meio da plataforma social. Na carta, ele expôs suas opiniões sobre as acusações, mas nunca usou diretamente a palavra “plágio”.

Esta não é a primeira vez que Klein é formalmente punido por questões de ética acadêmica e de redação. Há cerca de uma década, o semanário francês L’Express revelou que ele tinha plagiado passagens em numerosos livros e colunas científicas populares, incluindo uma biografia de Albert Einstein. Klein foi destituído do cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados de Ciência e Tecnologia em 2017, após uma investigação independente encomendada pelo Ministério do Ensino Superior e Pesquisa da França, embora tenha mantido seu cargo de pesquisador na Comissão de Energias Atômicas e Alternativas.

Apesar da turbulência anterior, a imagem pública e a carreira de comunicação de Klein permaneceram praticamente inalteradas nos anos que se seguiram. Desde 2016, ele publicou mais de dez trabalhos científicos e ensaios populares e continua a atuar como apresentador de programas científicos na Rádio Cultura Francesa. Em 2020, a Academia Francesa de Ética e Ciência Política também lhe atribuiu um Prémio de Ensaio de Física, solidificando ainda mais o seu estatuto de autoridade no mundo da popularização da ciência no mundo francófono.

Por causa disso, após a divulgação dos resultados da nova rodada de investigação de plágio, alguns observadores apontaram o dedo para editoras e organizações de mídia que há muito cooperam com Klein. O filósofo científico Olivier Saltner, da Universidade de Namur, na Bélgica, salientou que, embora as acusações de plágio tenham surgido há muito tempo, muitas editoras e meios de comunicação franceses bem conhecidos continuaram a cooperar com Klein na publicação e produção de programas para manter a sua imagem como uma autoridade científica "respeitada" a nível público. Isto envia, sem dúvida, um sinal de nepotismo ou de tolerância excessiva aos olhos do mundo exterior.

Agora, com a cassação do doutorado, as instituições parceiras de Klein começam a reavaliar sua posição. Numa resposta por e-mail à revista Science, a Radio France Culture disse que “tomou nota” da decisão da universidade e estava “revisando a situação atual”. A Comissão de Energia Atômica e Alternativa disse ter sido informada das sanções da universidade e estar “considerando os próximos passos”. O mundo exterior está geralmente preocupado com a questão de saber se estas instituições continuarão a tomar medidas de pessoal ou de cooperação mais rigorosas.

Na carta aberta, Klein tentou responder às dúvidas externas através de uma discussão sobre “absorção inconsciente”. Ele alegou ter lido muitos livros durante sua carreira, que pode ter "digerido" e usado "nem sempre conscientemente" em seus escritos. Ele também questionou por que sua tese de doutorado passou a ser objeto de um exame minucioso, enquanto as dissertações de outras pessoas não foram sujeitas a um exame minucioso semelhante. Ele chamou os críticos de "fanáticos por aspas" e os acusou de se concentrarem apenas nos detalhes de suas próprias palavras, em vez de lidar com aqueles que realmente espalham informações científicas falsas. Ele também argumentou que seu trabalho estava factualmente livre de erros e desempenhou um papel ativo no combate à desinformação científica.

A resposta encontrou pouca simpatia entre os acadêmicos. Saltner acredita que o apelo de Klein ao chamado “empréstimo inconsciente” e ao “combate à desinformação” é um argumento logicamente insustentável que apenas enviará um sinal extremamente mau aos estudantes e investigadores. Na sua opinião, a Universidade de Paris ainda optou por tomar medidas severas ao revogar o seu diploma quando se deparou com um académico de alto perfil e enorme influência pública. Esta foi uma “decisão corajosa” que ajudaria a reconstruir a confiança do público nas instituições académicas no tratamento da má conduta. Como ele disse, este incidente mostra que mesmo que o sistema funcione bem, mesmo as estrelas acadêmicas não podem ficar completamente fora das normas acadêmicas.