O juiz que preside o processo antitruste do Departamento de Justiça dos EUA contra o Google decidiu que o Departamento de Justiça pode publicar documentos do julgamento online, apesar das objeções da Alphabet. A decisão não é isenta de exceções, porém, e as partes têm até o próximo dia útil para resolver objeções a material sensível.
A briga começou há mais de uma semana, quando o Departamento de Justiça publicou em seu site dezenas de e-mails e outros documentos do Google usados no julgamento. O Google entrou com um pedido de liminar, alegando que os documentos revelavam segredos comerciais e encorajavam manchetes “clickbait”. Bloomberg observou que o Departamento de Justiça apagou os documentos na semana passada, enquanto os dois lados discutiam perante um juiz antes de chegarem a um acordo.
De acordo com a decisão, o Departamento de Justiça pode divulgar as provas do julgamento “o mais rápido possível”. No entanto, o Google e quaisquer outras partes mencionadas no processo poderão levantar objeções até as 21h. todos os dias após a audiência. As partes têm até o início do dia seguinte para resolver essas disputas por meio de supressões ou outros meios, momento em que o Departamento de Justiça é livre para divulgar os documentos completos ou redigidos.
Segundo a National Public Radio (NPR), o caso é o primeiro processo antitruste do Departamento de Justiça a entrar em julgamento em décadas. O processo alega que o Google criou um monopólio que o coloca ilegalmente no centro das atenções de todos sempre que fazem pesquisas em seus telefones ou navegadores. Um dos argumentos mais proeminentes do Departamento de Justiça gira em torno de um acordo entre a Alphabet e a Apple para tornar o Google o mecanismo de busca padrão em iPhones e outros dispositivos.
Hoje, Eddy Cue, ex-vice-presidente de serviços avançados da Apple, testemunhou que as duas empresas chegaram a um acordo de divisão de receitas em 2002. De acordo com o contrato, a Apple receberá uma parte da receita de publicidade do Google se tornar o mecanismo de busca do Google o mecanismo de busca padrão em dispositivos Apple e Safari.
Em 2016, a Apple renegociou o contrato para obter uma fatia maior do bolo das pesquisas realizadas em hardware da Apple. O CEO do Google, Sundar Pichai (Sundar Pichai), estava relutante e queria manter o acordo inalterado. No final das contas, os dois gigantes da tecnologia chegaram a um acordo contínuo por um valor não revelado. O Departamento de Justiça estima que o preço anual seja de cerca de US$ 19 bilhões.
Cue também disse que há uma cláusula no contrato que exige que ambas as empresas apoiem e defendam o acordo caso ele seja submetido ao escrutínio regulatório. Cue disse que a Apple não teve escolha a não ser fazer um acordo com o Google porque não havia “alternativa eficaz” para um mecanismo de busca com o qual os clientes não estavam familiarizados ou não confiavam.