Rene Haas, CEO da Arm, empresa de design de chips do SoftBank, disse em uma entrevista recente que está preocupado com a possibilidade de os humanos perderem o controle da inteligência artificial (IA). Quando questionado sobre o que o mantém acordado à noite pensando em inteligência artificial, Haas observou: “Minha maior preocupação é a incapacidade dos humanos de controlar a inteligência artificial”. Ele disse que as pessoas precisam ter algum controle, uma porta dos fundos e uma maneira de fechá-la.

Haas conduziu a entrevista na sede da Arm em Cambridge, Inglaterra. Ele estima que 70% da população mundial foi exposta de alguma forma a produtos desenvolvidos pela Arm.

Próximo capítulo de Arm

Enquanto Haas pondera sobre as possíveis desvantagens da inteligência artificial, ele também acredita que o próximo capítulo da Arm verá a empresa se tornar tão importante para a revolução generativa da IA ​​quanto para os smartphones, onde os designs de chips da Arm são agora onipresentes.

Haas disse: “A inteligência artificial será integrada em tudo o que fazemos, em todos os aspectos de como trabalhamos, vivemos e nos divertimos. Isso mudará tudo nos próximos cinco a 10 anos”.

Haas, que se tornou CEO da Arm em fevereiro do ano passado, tem tentado aplicar a tecnologia da Arm em áreas como PCs, servidores e veículos elétricos para reduzir a dependência da Arm na cada vez menor indústria de smartphones. A empresa também está oferecendo designs mais completos aos clientes de telefonia móvel, com o objetivo de gerar mais receita com cada aparelho vendido.

No mercado de smartphones, a Arm já está em todo lugar. Dos 1,4 bilhão de smartphones vendidos todos os anos, quase todos os processadores possuem o conjunto de instruções da Arm integrado e mais de 99% deles usam o design ou a tecnologia da Arm.

Agora, a Haas também vê oportunidades interessantes no espaço dos data centers em nuvem. Grandes modelos de linguagem (como ChatGPT da OpenAI e Bard do Google) exigem grandes quantidades de armazenamento e capacidade de dados, e a Haas pretende capturar 50% da participação no mercado global nos próximos anos.

É claro que a ambição por si só não garante o sucesso, e ainda não se sabe se o Arm pode tornar-se central para o futuro da inteligência artificial. Até agora, o principal beneficiário desta mania é a Nvidia. No entanto, as perspectivas de Arm ainda são boas. De acordo com o roadshow do diretor financeiro da Arm, Jason Child, em setembro, a oportunidade de receita da Arm aumentará para US$ 28 bilhões até 2025, crescendo a uma taxa anual de 17%.

A Haas também se concentrou em dominar a chamada computação de ponta – sistemas que funcionam a partir de dispositivos em casa ou no escritório, em vez de uma nuvem central.

Haas observou: “À medida que esses dispositivos de ponta se tornam cada vez mais inteligentes e mais e mais tecnologia é colocada neste bolso, esta é uma oportunidade muito boa para a Arm”.

impacto geopolítico

Na última entrevista, Haas também mencionou o impacto de fatores geopolíticos nos negócios da empresa. A China apresenta oportunidades e riscos para Arm. Cerca de 25% da receita da empresa vem da segunda maior economia do mundo. A Arm precisa lidar com as restrições dos EUA à exportação de chips de alta qualidade para a China, mantendo ao mesmo tempo sua participação no mercado chinês.

“Acho que há 10 anos os CEOs conversavam com funcionários do governo com muito menos frequência do que fazem hoje”, observou Haas.

Haas disse que embora a empresa se adapte às mudanças no mercado chinês, uma questão mais premente é o acesso ao talento, especialmente no Reino Unido.

Ele disse que o Reino Unido continua a ser fundamental para o futuro da empresa, mas os políticos não devem ignorar a necessidade de talentos estrangeiros para que as empresas de tecnologia cresçam. "Nascemos aqui e pretendemos ficar aqui. Por favor, torne mais fácil para nós atrair talentos de classe mundial e atrair engenheiros para trabalhar na Arm."