Há um reconhecimento crescente de que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é mais do que apenas um transtorno infantil devastador, com uma estimativa conservadora de 8,7 milhões de adultos nos Estados Unidos vivendo com o transtorno, tanto diagnosticado quanto não diagnosticado. No entanto, não só os idosos com 50 anos ou mais foram excluídos da investigação sobre o TDAH, como também enfrentam barreiras quando procuram ajuda.
Investigadores da Universidade de Örebro, na Suécia, examinaram dados de registos internacionais e estudos comunitários sobre mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo 41.000 pessoas diagnosticadas com TDAH, e descobriram que, em 2020, apenas 32 conjuntos de dados em 20 artigos tinham em conta os idosos.
"Um número significativo de adultos com 50 anos ou mais apresenta níveis elevados de sintomas de TDAH. Mas muitos deles não são diagnosticados ou tratados", disse a autora do estudo, Maja Dobrosavljevic, pesquisadora da Universidade de Örebro.
Embora o TDAH seja um distúrbio do neurodesenvolvimento, a maioria das pessoas não o “supera”. Além disso, é uma doença complexa e de difícil diagnóstico e tratamento.
Pessoas com TDAH têm uma deficiência cerebral do neurotransmissor norepinefrina, que está intimamente relacionado à dopamina e regula os centros de recompensa e prazer do cérebro. Além disso, os pacientes com TDAH também sofrem de função prejudicada no córtex frontal do cérebro, no sistema límbico, nos gânglios da base e no sistema de ativação reticular, resultando em curto-circuito da comunicação neural e em uma série de sintomas que variam muito de pessoa para pessoa.
É um distúrbio neurológico extremamente complexo que é mais difícil de detectar em adultos mais velhos porque muitos dos sintomas são característicos do declínio cognitivo relacionado à idade.
“Uma das razões pelas quais muitos idosos não são diagnosticados é que os sintomas são muitas vezes confundidos com o processo natural de envelhecimento ou com os estágios iniciais da demência”, disse Dobrosavljevic.
Comportamentos como esquecimento, falta de memória e alterações de humor podem ser negligenciados como sintomas associados ao envelhecimento, enquanto os idosos com TDAH também têm maior probabilidade de desenvolver demência, hipertensão, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e obesidade.
“Pessoas com TDAH correm um risco significativamente maior de desenvolver demência e comprometimento cognitivo leve, o que afeta a capacidade de lembrar, receber e processar informações”, disse Dobrosavljevic.
Como o TDAH é hereditário, os pesquisadores acreditam que seria um grande descuido excluir tantas pessoas do estudo e não revisar os sistemas de diagnóstico que atualmente favorecem crianças e adultos jovens.
“Aumentar a conscientização sobre o TDAH nesta faixa etária é importante porque permitirá que mais pessoas recebam o diagnóstico correto e o tratamento adequado”, disse Dobrosavljevic.
O estudo foi publicado na revista Expert Review of Neurotherapeutics.