Na Conferência sobre Consciência Infantil, realizada recentemente nos Estados Unidos e patrocinada pela Universidade de Nova Iorque, os investigadores exploraram quando e como a consciência pode surgir e como detectar os sinais. Eles também consideraram pistas de estudos recentes de imagens cerebrais que sugerem que a capacidade de consciência pode surgir antes do nascimento, no final da gravidez.

A definição de consciência em si é controversa e geralmente considerada como a capacidade de ter experiências subjetivas. Contudo, a consciência de um bebé pode diferir da de um adulto e pode desenvolver-se gradualmente, em vez de se desenvolver de uma só vez. A maioria dos pesquisadores acredita que a conexão entre o tálamo e o córtex cerebral, que é crítica para a consciência, não começa a se formar até cerca de 24 semanas de desenvolvimento fetal.

Os pesquisadores usam técnicas como ressonância magnética funcional (fMRI) e magnetoencefalografia (MEG) para procurar possíveis sinais de consciência. Um estudo encontrou atividade alternada entre a rede de modo padrão, a rede de atenção dorsal e a rede de controle executivo nos cérebros de recém-nascidos a termo e bebês prematuros da mesma idade, o que foi considerado um potencial marcador de consciência. Contudo, em bebés prematuros examinados entre 32 e 37 semanas, estas redes ainda não se tinham formado. Outro estudo descobriu uma “rede de mundo pequeno” no cérebro de bebês prematuros, um padrão de conexões neurais que é interrompido pela anestesia ou lesão cerebral e pode apoiar a percepção consciente.

Além disso, estudos MEG demonstraram que fetos com 35 semanas ou mais são capazes de responder a mudanças nos padrões sonoros, semelhantes aos adultos conscientes. Estas descobertas sugerem que os fetos podem começar a desenvolver alguma forma de consciência no final da gravidez.