A administração Trump intensificou significativamente a sua retórica dura contra a União Europeia na terça-feira, criticando severamente a UE por usar a Lei dos Mercados Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais (DSA) para implementar regulamentações “discriminatórias” sobre as empresas de tecnologia dos EUA. O Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) emitiu uma declaração severa através das redes sociais, alertando claramente Bruxelas: Se a UE continuar a utilizar estes regulamentos para restringir a competitividade das empresas americanas, os Estados Unidos "não terão outra escolha" senão usar "todas as ferramentas disponíveis" para reagir.
O relatório salientou que a administração Trump acredita que a UE tem como alvo sistemático os gigantes da tecnologia dos EUA, como Google, Apple, Amazon e Meta. Numa declaração, o Gabinete do Representante Comercial dos EUA acusou a UE e os seus estados membros de impor restrições, dissuasão e tratamento discriminatório aos prestadores de serviços dos EUA através de meios legais irracionais. A declaração enfatizou que se esta situação continuar, os Estados Unidos tomarão as medidas retaliatórias correspondentes.
O Gabinete do Representante de Comércio dos EUA mencionou especificamente na declaração que a "Lei dos Mercados Digitais" da UE tem sérios preconceitos na sua lógica de aplicação. Os Estados Unidos apontaram que o padrão de julgamento do projeto de lei não se baseia em saber se os consumidores foram realmente prejudicados, ou mesmo se a empresa realmente violou os regulamentos, mas depende principalmente se a empresa é de grande escala, bem-sucedida e o ponto mais crítico é se é uma empresa norte-americana. Os Estados Unidos acreditam que, uma vez que uma empresa atenda às características acima, as regras originalmente gerais do mercado mudarão repentinamente. Este tipo de método de supervisão para empresas específicas é completamente diferente da lei antitruste tradicional que se aplica a todas as empresas, resultando na obtenção de uma vantagem competitiva injusta por concorrentes estrangeiros que não estão incluídos na lista regulatória.
Vale a pena notar que, para demonstrar a gravidade da ameaça de retaliação, a declaração do USTR listou mesmo diretamente uma lista de prestadores de serviços europeus que podem tornar-se alvos de contramedidas dos EUA, incluindo empresas europeias bem conhecidas, como Accenture, DHL, Mistral, SAP, Siemens e Spotify.

O pano de fundo desta fricção diplomática é que a UE emitiu recentemente multas avultadas a uma série de empresas tecnológicas dos EUA com base no DMA e no DSA. No início deste ano, a Apple foi multada em 500 milhões de euros e a Meta em 200 milhões de euros. Além disso, a plataforma social de Elon Musk
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou repetidamente as multas da UE às empresas norte-americanas como "muito injustas" e caracterizou-as como um "imposto" disfarçado. Já em Setembro deste ano, Trump ameaçou que os Estados Unidos aumentariam as tarifas se a UE não restringisse a sua ofensiva regulamentar contra a indústria tecnológica dos EUA. Isto também colocou o quadro comercial estabelecido pelas duas partes em Julho de 2025 em risco de ruptura.
Ao mesmo tempo, o Comité Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA também realizou uma audiência sobre esta questão para discutir a ameaça à inovação e à concorrência dos EUA representada por "regulamentações estrangeiras discriminatórias" que imitam a Lei dos Mercados Digitais. A administração Trump enfatizou que defenderá resolutamente os interesses da indústria tecnológica dos EUA e se oporá a qualquer forma de “extorsão regulatória” no exterior.