O presidente dos EUA, Trump, afirmou no dia 15 que o Irão está a usar a inteligência artificial como uma "arma de desinformação" para exagerar os seus resultados e apoio público na guerra, e para enganar a opinião pública internacional. Trump disse aos repórteres que acompanhavam o avião "Air Force One" que voava de volta da Califórnia para Washington: "A inteligência artificial pode ser muito perigosa e devemos ser extremamente cuidadosos com ela". Não muito tempo atrás, ele postou uma postagem em sua própria plataforma social, Truth Social, acusando a mídia ocidental de “cooperar estreitamente” com o Irã e de usar “notícias falsas” geradas pela IA para espalhar desinformação, mas não forneceu evidências relevantes.

Os últimos comentários de Trump ocorrem no momento em que as tensões entre ele e a Comissão Federal de Comunicações (FCC) e as emissoras aumentam novamente, depois de ele criticar fortemente a cobertura da mídia sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. O presidente da FCC, Brendan Carr, alertou no dia 14 que se as emissoras não “corrigirem o rumo” nas reportagens relevantes, poderão enfrentar o risco de ter suas licenças revogadas. Há muito tempo que Trump acusa frequentemente as organizações noticiosas de "mentirem", especialmente quando reportam conteúdos que considera "desfavoráveis para ele", e tem apelado repetidamente à revogação de licenças de meios de transmissão que considera "injustas".
Em publicações nas redes sociais e comunicações com repórteres, Trump citou três casos naquele dia em que alegou que o Irão usou IA para enganar o público. Ele afirmou no Truth Social que a chamada "lancha não tripulada kamikaze" exibida pelo Irã não existia e também usou a IA para fabricar um ataque bem-sucedido ao porta-aviões USS Lincoln. Ele também disse que os meios de comunicação que encaminharam conteúdo relevante deveriam ser responsabilizados por traição.
No entanto, a Reuters já verificou imagens de vídeo tiradas do porto de Basra, no Iraque, e confirmou que as imagens mostravam barcos iranianos cheios de explosivos suspeitos de atacar dois petroleiros, matando pelo menos um tripulante. Ao mesmo tempo, a mídia oficial iraniana afirmou que os militares iranianos atacaram o porta-aviões USS Lincoln, mas esta declaração não foi amplamente divulgada na mídia ocidental.
Trump também afirmou que a imagem de “250.000 iranianos participando de um comício para apoiar o novo Líder Supremo Mojtaba Khamenei” foi “completamente gerada pela IA” e disse que “este evento não aconteceu de forma alguma”. Desde o início da guerra, tem havido muitas manifestações e comícios em apoio ao governo no Irão, mas uma breve pesquisa feita pela Reuters não encontrou nenhum meio de comunicação ocidental citando o número específico de “250.000 pessoas” nos seus relatórios. Muitos meios de comunicação, incluindo a Reuters, publicaram fotos de multidões reunidas nas ruas de Teerã depois que Khamenei foi eleito líder. A conversa não especificou quais meios de comunicação iranianos ou quais reportagens ele estava culpando.