O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse em depoimento no Congresso que o chip de inteligência artificial H200 de última geração da Nvidia ainda não foi vendido a nenhuma empresa chinesa. Isto significa que, embora a administração Trump tenha aprovado exportações relevantes para a China com condições em Janeiro deste ano, este chip de IA, que é considerado o “segundo chip de IA mais avançado” da Nvidia, ainda não entrou verdadeiramente no mercado chinês.

Questionado sobre as vendas do H200 para a China durante uma audiência no Senado, Lutnick disse que as empresas chinesas enfrentam dificuldades para obter licenças de seus próprios governos. Ele disse que o governo central da China “não permitiu que eles comprassem esses chips até agora porque estão tentando concentrar seus investimentos em sua própria indústria”. Lutnick acrescentou: “Até agora não vendemos chips para eles”. A Nvidia não respondeu publicamente a isso.

Em janeiro deste ano, o Departamento de Comércio dos EUA permitiu que a Nvidia vendesse chips H200 para a China sob certas condições após relaxar algumas restrições à exportação, mas exigiu que as licenças relevantes estivessem sujeitas à revisão pelos Departamentos de Estado, Defesa e Energia. A decisão suscitou preocupações entre os falcões da China em Washington, que alertaram que Pequim poderia usar esses chips de alto desempenho para aumentar as suas capacidades militares, representando um desafio para a segurança nacional dos EUA.

Pessoas familiarizadas com o assunto disseram anteriormente à Reuters que as disputas sobre os termos de vendas atrasaram os planos de enviar chips H200 para a China. Do lado dos EUA, algumas das condições propostas incluem requisitos estritos de “conheça o seu cliente” (KYC), destinados a impedir que os militares chineses tenham acesso aos chips. Segundo relatos, a Nvidia ainda não concordou com as condições de uso relevantes, e essas condições se tornaram um dos principais focos de suas negociações de vendas com a China.

Enquanto isso, as empresas de tecnologia chinesas também aguardam para ver o que o futuro reserva para o H200. O Financial Times citou fontes que afirmaram que os clientes chineses geralmente permaneciam parados e atrasavam a realização de encomendas até que não ficasse claro se a licença poderia ser obtida e as restrições específicas. Relatórios anteriores apontaram que as autoridades reguladoras chinesas aprovaram, em princípio, a importação de chips H200 por muitas empresas, incluindo ByteDance, Tencent, Alibaba e algumas start-ups de inteligência artificial, mas detalhes regulamentares relevantes ainda estão a ser formulados e melhorados.

No contexto do contínuo reforço dos controlos de exportação de alta tecnologia dos EUA para a China, o paradeiro do H200 é considerado pelo mundo exterior como um importante indicador da direcção da fricção tecnológica entre os dois países. Lutnick reiterou naquele dia que a Nvidia deve “cumprir várias barreiras de segurança e condições de licenciamento estabelecidas em torno das vendas para a China”, e enfatizou que essas condições são formadas após consulta a vários departamentos de segurança. Actualmente, enquanto o governo dos EUA procura manter as suas vantagens tecnológicas no domínio da inteligência artificial, também tenta impedir que tecnologias relacionadas sejam utilizadas para minar os interesses de segurança dos EUA, através da criação de mecanismos complexos de licenciamento e conformidade.