Em resposta às enormes multas antitrust impostas pela União Europeia contra grandes empresas tecnológicas americanas, como a Apple e a Google, o presidente dos EUA, Donald Trump, está a intensificar as contramedidas. Trump anunciou através das redes sociais que os Estados Unidos iriam lançar uma investigação comercial, uma medida que poderia levar à imposição de novas tarifas sobre produtos da UE.

O anúncio surge depois de a Comissão Europeia ter multado a Google em 890 milhões de euros (aproximadamente mil milhões de dólares) em 23 de julho. A Comissão Europeia determinou que a Google violou a Lei dos Mercados Digitais, incluindo 460 milhões de euros pelo seu comportamento de otimizar os seus serviços nos resultados de pesquisa, e 430 milhões de euros pelo seu comportamento de restringir os comerciantes de orientar os utilizadores do Google Play a utilizarem outros canais de pagamento.
Em resposta, Trump condenou veementemente a UE por tratar os Estados Unidos como um "caixa eletrônico" e pediu à Comissão Europeia que revogasse a resolução de penalidades relevante. Ele previu que a investigação levaria à imposição de “tarifas substanciais” à UE, mas não revelou as taxas de imposto específicas, o âmbito dos produtos envolvidos ou o calendário para a conclusão da investigação. É relatado que o Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos pode iniciar investigações sobre ações de governos estrangeiros que sejam consideradas injustas ou discriminatórias ao abrigo da Secção 301 da Lei Comercial de 1974. Se se concluir que as práticas da UE prejudicam os interesses comerciais dos EUA, o governo dos EUA pode usar isso para introduzir tarifas ou outras restrições comerciais. É importante notar que três dias antes do anúncio desta investigação, 25 congressistas republicanos instaram conjuntamente Trump a utilizar a Secção 301 para lidar com a Lei dos Mercados Digitais e a Lei dos Serviços Digitais da UE.
Embora a investigação tenha sido desencadeada diretamente pela multa do Google, Trump também mencionou outras empresas de tecnologia americanas, como Apple, Meta e Amazon, em suas críticas. Anteriormente, a Comissão Europeia emitiu uma multa de 500 milhões de euros à Apple em abril de 2025, acusando a sua loja de aplicações de restringir os programadores de orientar os utilizadores a utilizarem ofertas externas. A Apple entrou com recurso em julho do mesmo ano e afirmou que investiu enormes recursos e fez muitos ajustes para cumprir o compliance. Também acusou a Comissão Europeia de alterar frequentemente as expectativas regulamentares.
A análise jurídica salienta que, embora a investigação da Secção 301 dos EUA tenha aumentado a pressão geopolítica e comercial, não pode anular diretamente a decisão administrativa da Comissão Europeia ou isentar as empresas de multas ao abrigo da lei. Empresas como a Apple e a Google ainda têm de se defender através de procedimentos judiciais europeus. Ao mesmo tempo, as tarifas são normalmente suportadas pelos importadores dos EUA e os seus custos podem ser indirectamente transferidos para as empresas e consumidores locais, tendo assim um efeito cascata nos bens comuns e no comércio fora da indústria tecnológica. Actualmente, à medida que os Estados Unidos tentam definir o próprio sistema regulamentar da UE como uma barreira comercial discriminatória, esta disputa sobre a conformidade das empresas de tecnologia e antitrust evoluiu oficialmente para um jogo comercial transatlântico mais amplo.