Carlos Tavares, CEO da montadora europeia Stellantis, disse na sexta-feira (19 de janeiro) que a empresa não aceitaria cortes de preços como outras montadoras para aumentar as vendas de veículos elétricos. "Na Europa, tal como nos Estados Unidos, estamos a ganhar dinheiro com veículos eléctricos. O nosso princípio é garantir que tudo o que vendemos gera dinheiro, porque, caso contrário, a empresa não será sustentável", disse numa mesa-redonda na sexta-feira.

Alguns fabricantes de automóveis, incluindo a Fiat Chrysler, um dos antigos CEO da Stellantis, têm vendido veículos eléctricos independentemente do custo para estimular as vendas, na esperança de eventualmente tornar os veículos eléctricos lucrativos. Mas Tavares não reconhece isso.

Tavares destacou ainda que a empresa ainda não vai desacelerar nos veículos elétricos. Ele observou que, embora a adoção de veículos elétricos em muitos países seja mais lenta do que o esperado, a empresa continua comprometida com o seu plano de investir 50 mil milhões de euros (54,4 mil milhões de dólares) em veículos elétricos e tecnologias relacionadas até 2030.

Atualmente, a Stellantis lançou 25 veículos elétricos em todo o mundo e deverá lançar mais 23 modelos até ao final deste ano.

Recuse-se a sacrificar a lucratividade

No entanto, Tavares disse que há duas coisas que podem ser um obstáculo na sua expansão dos veículos eléctricos: mudanças na procura dos consumidores e potenciais mudanças na política política que podem resultar das eleições dos EUA deste ano e das eleições para o Parlamento Europeu.

Confrontados com a diminuição da procura dos consumidores, muitos fabricantes de automóveis já responderam. A Ford anunciou na sexta-feira que cortaria significativamente a produção de picapes elétricas; General Motors, Volvo e outras empresas adiaram o lançamento de alguns produtos de veículos elétricos; A Tesla baseia-se em mais descontos para os consumidores de veículos elétricos, o que também desencadeou uma guerra de preços na indústria de veículos elétricos.

Quanto a potenciais mudanças na arena política, Tavares disse ter preparado planos para dois cenários: se um partido liberal chegar ao poder, irá acelerar a implantação de veículos eléctricos, e se um partido mais conservador chegar ao poder, a empresa fará ajustes em áreas relacionadas.

De qualquer forma, a Stellantis não está sacrificando a lucratividade. Tavares destacou que a rentabilidade é necessária para continuar investindo em novas tecnologias. Se uma empresa baixar os seus preços ao ponto de não ter dinheiro para investir nos seus produtos, estará fadada a enfrentar uma “guerra sangrenta”.

A Stellantis é atualmente uma das empresas mais lucrativas e há espaço para cortar ainda mais custos e reduzir desperdícios em diversas áreas, incluindo produção, baterias e sistemas de gestão de energia. Mas Tavares rejeitou a redução de preços, argumentando que a queda dos preços poderia fazer com que algumas empresas perdessem dinheiro e se tornassem alvos de aquisição.

nova arquitetura

Na sexta-feira, a Stellantis também anunciou o lançamento de sua nova plataforma STLALarge, uma plataforma nativa altamente flexível para veículos elétricos puros em grande escala.

Além de veículos puramente elétricos, a plataforma também pode suportar outros sistemas de propulsão, como híbridos plug-in, híbridos não plug-in e motores convencionais de combustão interna.

A empresa disse que planeja lançar oito novos veículos em sua grande plataforma STLA, que sustentará os veículos até 2026.

Stellantis também observou que os modelos EV na plataforma maior poderão escolher entre arquiteturas elétricas de 400 volts e 800 volts, permitindo uma variedade de velocidades de carregamento e uma autonomia de aproximadamente 500 milhas. Os veículos desta plataforma estrearão pela primeira vez no mercado norte-americano.