Os engenheiros da missão Voyager da NASA estão preparando um patch de software que permitirá que os propulsores das sondas interestelares Voyager 1 e 2 continuem operando por mais cinco anos, mantendo assim as comunicações das sondas com a Terra. A sonda Voyager está em serviço desde o seu lançamento em 1977 e excedeu várias vezes a sua vida útil esperada. São uma prova da equipa de design, mas quase meio século depois, a sua longevidade criou novos problemas que nunca foram previstos.

Um problema é que os propulsores movidos a hidrazina usados ​​para manter a antena de alto ganho da Voyager apontada para a Terra estão mostrando a sua idade. Embora os propulsores ainda tenham propelente suficiente para durar até 2037 sob proteção cuidadosa no Centro de Controle de Missão do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) em Pasadena, Califórnia, os próprios propulsores precisam de uma boa limpeza.

O problema é que cada disparo do propulsor deixa resíduos no sistema que foram se acumulando lentamente ao longo dos anos. Se houver acúmulo excessivo, as linhas de combustível ficarão entupidas e o destino do detector estará condenado.

Para evitar isso, os engenheiros da NASA estão a desenvolver uma atualização de software que fará com que a Voyager dispare os seus propulsores com menos frequência, mas durante mais tempo, para manter a atitude da sonda. Além disso, as sondas serão informadas de que seu ponto fixo na Terra irá se deslocar mais do que antes antes de entrar em modo de emergência, o que resultará na perda de alguns dados, mas no longo prazo mais dados serão retornados.

Além disso, o patch corrigirá uma falha que fez com que o Attitude Articulation and Control System (AACS) da Voyager 1 emitisse comandos incorretos em 2022. As atualizações de software apresentam riscos. A Voyager não apenas estava desatualizada, mas também viajava em ambientes extremamente hostis, com sinais demorando 18 horas para viajar da Terra até a sonda. Isso significa que levará pelo menos 36 horas até que o Controle da Missão descubra que há um problema com o upload. Portanto, antes de tentar enviar um sinal para a Voyager 1, um sinal será enviado para a Voyager 2.

Espera-se que a atualização prolongue a vida útil dos propulsores em pelo menos cinco anos. Dado que a bateria nuclear a bordo da sonda só deverá durar mais dois anos, isto deixará uma margem considerável para erros.

A cientista do projeto JPL, Linda Spilker, disse: "A equipe de engenharia enfrentou muitos desafios até agora na missão e ainda não temos soluções para esses desafios. Mas soluções criativas continuam a ser propostas."