Os Estados Unidos triplicaram as tarifas sobre pacotes de baixo valor provenientes da China, desferindo um grande golpe nas plataformas de comércio eletrónico de rápido crescimento Shein e Temu, informou o Financial Times. A Casa Branca anunciou na terça-feira que aumentaria as tarifas para 90% do valor do pacote, ou aumentaria a taxa fixa original de US$ 75 para US$ 150. As tarifas entrarão em vigor no dia 2 de maio e o aumento dos encargos fixos entrará em vigor a partir de 1 de junho.

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou na semana passada uma ordem executiva encerrando uma brecha que permitia que produtos chineses abaixo do limite mínimo de US$ 800 entrassem nos EUA com isenção de impostos.

Em vez disso, cada item estará sujeito a uma tarifa igual a 30% do seu valor, ou US$ 25, aumentando para US$ 50 após 1º de junho.

A mudança gerou críticas de que Shein e Temu ainda seriam capazes de vender produtos nos EUA a preços mais baixos do que os concorrentes que pagam tarifas mais altas sobre as importações por atacado de produtos chineses.

O forte aumento dos preços é um duro golpe para Temu, empresa sediada nos EUA da Shein e da Pinduoduo Holdings, que os analistas estimam ser o seu maior mercado, onde conseguem superar os rivais com produtos muito baratos, em parte evitando tarifas de importação.

As duas empresas vêm se preparando para o fim do período de isenção ampliando a capacidade de armazenagem nos Estados Unidos. No entanto, estes preparativos foram engolidos pela escalada da guerra tarifária entre a China e os Estados Unidos.

As tarifas sobre pacotes de baixo valor ainda são inferiores às das importações chinesas, que atualmente chegam a 104%. As tarifas entraram em vigor à meia-noite, horário de Washington, empurrando o mundo para uma guerra comercial total.

Os analistas alertam que a remoção da isenção mínima não só alteraria os modelos de negócio destas plataformas de retalho orçamentais e de outros intervenientes chineses no comércio eletrónico, mas também alargaria os prazos de entrega. Brittan Ladd, consultor de cadeia de suprimentos dos EUA que trabalhou para Amazon e Dell, disse que os portos ficarão sobrecarregados com pacotes.

Ele acrescentou que o Departamento de Comércio lançou um novo sistema de software para lidar com o pagamento de impostos, mas ainda ocorriam atrasos devido ao grande volume de pacotes que precisavam ser processados.

A maioria dos produtos vendidos na plataforma Shein são produzidos na China. A gigante da moda rápida tem tentado diversificar os seus negócios fora de países como o Brasil e a Turquia, mas tem lutado para igualar a eficiência e a capacidade de resposta das fábricas chinesas.

A turbulência sobre as medidas comerciais de Trump lançou na incerteza os planos de Shein para uma oferta pública inicial. A empresa sediada em Singapura tinha inicialmente solicitado aprovação para ser cotada em Londres, mas o pedido de cotação foi adiado várias vezes devido à incerteza regulamentar.

De acordo com o Financial Times, os lucros da Shein caíram mais de um terço no ano passado devido à concorrência com a rival Temu, o que levou a custos de marketing e logística mais elevados.

Temu e Shein não responderam aos pedidos de comentários.