Parece um cenário de ficção científica: uma pequena nave espacial que não pesa mais do que um clipe de papel, impulsionada por lasers, voa em direção a um buraco negro quase à velocidade da luz, numa missão para testar as leis da física. Embora a tecnologia ainda não esteja madura, os cientistas acreditam que esta ideia pode ser concretizada nas próximas décadas.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Cell Press "iScience" pelo astrofísico italiano Cosimo Bambi, da Universidade Fudan, a missão precisa resolver dois problemas principais: localizar buracos negros próximos à Terra e desenvolver um detector durável. As teorias existentes especulam que um buraco negro pode existir a 20 a 25 anos-luz de distância da Terra, mas a sua detecção depende de métodos de observação indireta, como a análise do impacto dos buracos negros nas estrelas e na luz circundantes. Os cientistas esperam encontrar o alvo na próxima década.
As espaçonaves tradicionais de combustível químico não são capazes de realizar esta tarefa, e os nanodetectores em escala gramatical (incluindo microchips e velas leves) podem ser críticos. Lasers terrestres podem lançar fótons em uma vela leve, acelerando o detector a um terço da velocidade da luz. Nessa velocidade, o detector chegará ao buraco negro em cerca de 70 anos, e levará mais 20 anos para transmitir os dados de volta, e toda a jornada levará cerca de 80 a 100 anos.

Os principais objetivos científicos da missão são verificar a existência do "horizonte de eventos" de um buraco negro, explorar mudanças nas leis físicas em ambientes extremos e testar a universalidade da relatividade geral. Actualmente, o custo dos sistemas laser por si só chega a 1 bilião de euros e a tecnologia de nanodetectores ainda não foi desenvolvida, mas o progresso tecnológico poderá reduzir a lacuna nos próximos 30 anos.
Olhando para trás, para a história da ciência, a detecção de ondas gravitacionais e a imagem de buracos negros já foram consideradas impossíveis, mas acabaram se tornando uma realidade. Esta pesquisa pode abrir um novo capítulo para a compreensão do universo pela humanidade.