Os ecossistemas dos recifes de coral entraram num estado de declínio generalizado à medida que as temperaturas globais continuam a subir, marcando o facto de o planeta ter ultrapassado o primeiro "ponto de viragem" reconhecido no sistema climático, de acordo com um novo estudo liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido. O relatório alerta que se as emissões de gases com efeito de estufa não puderem ser reduzidas rapidamente, outros sistemas-chave da Terra irão gradualmente ultrapassar o limiar da transformação irreversível.

O relatório avalia sistematicamente os riscos de cerca de 20 pontos de ruptura do sistema terrestre, incluindo o colapso da camada de gelo, a subida do nível do mar e a degradação da floresta tropical amazónica. Um aumento acentuado das temperaturas globais nos últimos anos, em comparação com a primeira avaliação de há dois anos, levou os cientistas a confirmar que o primeiro ponto de viragem climático foi ultrapassado.
Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais atingidos. O aquecimento das águas oceânicas está a desencadear o branqueamento global dos corais – uma crise que ocorre quando os corais são expostos ao stress térmico e expelem as algas simbióticas que lhes fornecem nutrição e cor. Estima-se que a quarta ronda de eventos de branqueamento global, que começou em Janeiro de 2023, tenha afectado mais de 84% dos recifes de coral do mundo. Os investigadores salientaram que a crescente frequência e intensidade dos eventos de perturbação estão a dificultar a manutenção do ciclo natural de recuperação dos corais, levando ao colapso do ecossistema.
A investigação e a análise mostram que, mesmo que o futuro aquecimento global possa ser estabilizado na meta de 1,5°C estabelecida pelo Acordo de Paris, os recifes de coral continuarão a diminuir. Para manter um sistema de recifes de coral com certas funções ecológicas, o aquecimento global precisa de ser ainda mais reduzido para cerca de 1°C acima dos níveis pré-industriais, o que dependerá inevitavelmente da aplicação de tecnologias de remoção de carbono em grande escala no futuro.
O estudo destaca que lidar com estes pontos de viragem irreversíveis representa um desafio fundamental para o actual sistema de governação climática. A comunidade internacional precisa de tomar medidas de governação proporcionais à gravidade da crise, reduzir imediata e drasticamente as emissões e acelerar o desenvolvimento de tecnologias de remoção de carbono para evitar a perda de outros ecossistemas críticos.