A Microsoft lançou recentemente uma nova opção interna para funcionários chamada “Trusted Technology Review”, que permite aos funcionários levantar anonimamente preocupações sobre o desenvolvimento e uso da tecnologia Microsoft. A mudança foi anunciada pelo presidente da Microsoft, Brad Smith, em um memorando interno da empresa e divulgado em um documento de valores mobiliários. Através desta nova política, os mais de 200.000 funcionários da Microsoft podem comunicar preocupações de forma segura e anónima, de acordo com a política anti-retaliação da empresa.

Esta medida surge no contexto da recente controvérsia sobre os negócios da empresa no Médio Oriente. Relatórios anteriores afirmavam que uma unidade das Forças de Defesa de Israel utilizou os serviços em nuvem do Microsoft Azure para rastrear chamadas telefónicas palestinianas, o que desencadeou protestos de funcionários, despedimentos internos e demissões. Posteriormente, a Microsoft deixou de fornecer alguns serviços ao departamento e começou a melhorar o seu processo de revisão pré-contrato para projetos que exigem devida diligência adicional em matéria de direitos humanos.

Brad Smith disse no memorando: "Estamos fortalecendo o processo de due diligence e expandindo os canais para os funcionários relatarem informações e preocupações relacionadas ao desenvolvimento e implantação de tecnologia da Microsoft. Uma coluna 'Revisão de Tecnologia Confiável' foi aberta no Portal de Integridade da Microsoft. Os funcionários podem enviar informações que acreditam poder violar as políticas da empresa por meio deste canal, e podem fazê-lo anonimamente. A empresa fará o acompanhamento de acordo com o caso para garantir que a política anti-retaliação se aplique."

Acrescentou que a empresa continua empenhada em melhorar o seu processo de governação corporativa e continuará a partilhar experiências e medidas de melhoria. “A Microsoft sempre foi guiada por princípios e ética e continuará a ouvir, aprender e compartilhar novas ações com todos.”

O pano de fundo desta disputa envolve o conflito israelo-palestiniano. Militantes do Hamas entraram em Israel vindos de Gaza em 7 de outubro para lançar um ataque. Israel atacou imediatamente Gaza com o objectivo de atacar o Hamas e resgatar os reféns. As Nações Unidas determinaram que Israel cometeu genocídio durante a guerra. Segundo a BBC, até meados de Setembro, Israel matou 64.964 pessoas em Gaza, cerca de 90% das casas foram danificadas ou destruídas e os cuidados médicos básicos e as condições básicas de vida quase ruíram.

A guerra gerou divisões ferozes em todo o mundo, inclusive dentro da Microsoft. A Microsoft foi questionada por alguns funcionários por fornecer tecnologia relacionada a Israel. Tendo em conta os riscos geopolíticos globais, os analistas da indústria acreditam que tais incidentes ainda poderão ocorrer no futuro. Espera-se que as novas medidas da Microsoft possam resolver disputas de forma eficaz e evitar resultados extremos, como demissões por conflitos de opinião.