O governo russo apresentou recentemente um protesto à Apple, exigindo uma explicação para a remoção de uma série de aplicativos relacionados à empresa russa de Internet e tecnologia VK da versão russa da App Store, acusando a Apple de não ter qualquer “aviso ou explicação” antecipadamente.

O incidente começou quando a VK emitiu um aviso, dizendo que a decisão da Apple de remover aplicativos relacionados estava restringindo o acesso normal a “serviços populares usados por dezenas de milhões de usuários todos os dias”. Esses aplicativos que os usuários do iPhone na Rússia não podem mais baixar ou atualizar, segundo VK, abrangem uma variedade de serviços, como redes sociais, plataformas de vídeo e mensagens instantâneas. A empresa disse que era “incompreensível e inaceitável” para a Apple.
Depois que VK relatou a situação, o Kremlin interveio rapidamente. O porta-voz do Kremlin, Peskov, emitiu um sinal duro por meio da Reuters, dizendo que as autoridades russas entrarão em contato formalmente com a Apple e pedirão explicações sobre os motivos da remoção de aplicativos relevantes. Ele também alertou que se a Apple não fornecer uma resposta satisfatória, a Rússia não descartará a possibilidade de “reavaliação geral da cooperação com a Apple”.
Peskov também foi citado como tendo dito que se alguns usuários russos acharem inconveniente usar o aplicativo devido à remoção do aplicativo, eles “podem considerar mudar para o campo Android”. Esta declaração foi interpretada como uma pressão política e de mercado sobre a Apple, e não como uma simples sugestão do consumidor. O relatório apontou que os aplicativos da série VK envolvidos ainda podem ser obtidos e usados normalmente na plataforma Google Android.
O Kremlin prestou especial atenção ao incidente, que é considerado intimamente relacionado com a sua orientação política sobre a soberania digital e as plataformas locais nos últimos anos. Relatórios relevantes indicam que as autoridades russas têm pressionado as pessoas a mudarem para o MAX, uma plataforma nacional de mensagens desenvolvida pela VK. O aplicativo agora precisa estar pré-instalado em todos os celulares e tablets vendidos na Rússia.
No entanto, do ponto de vista do fornecimento de hardware, a ligação da Apple com o mercado russo já foi significativamente enfraquecida. Desde a eclosão do conflito Rússia-Ucrânia, a Rússia reforçou cada vez mais o uso de tecnologia estrangeira, e a Apple parou de vender iPhones e outros produtos diretamente lá há quatro anos.
Informações públicas mostram que a Apple anunciou em março de 2022 que suspenderia a venda de todos os produtos na Rússia e encerraria o seu negócio de varejo online na Rússia. Esta mudança ocorreu logo depois que o exército russo invadiu a Ucrânia. Naquela altura, os analistas geralmente acreditavam que o mercado russo representava uma percentagem muito baixa das receitas globais da Apple, apenas cerca de 0,9% a 1,4%, pelo que a retirada do retalho local teve um impacto limitado nas receitas globais da empresa.
Depois que os canais oficiais da Apple foram retirados, os iPhones recém-adquiridos na Rússia basicamente fluíram através do “mercado cinza”. A maioria dos dispositivos adquiridos pelos consumidores locais foram importados de canais de terceiros e os aplicativos MAX promovidos pelas autoridades russas não estavam pré-instalados nos dispositivos. Isso também torna mais provável que o jogo em torno da distribuição de aplicativos e do controle de plataforma ocorra entre a App Store e lojas de aplicativos de terceiros no nível do sistema operacional.
Até o momento, a Apple não comentou publicamente sobre a remoção de aplicativos relacionados ao VK da App Store russa, nem divulgou os motivos específicos para a remoção de aplicativos relacionados. À medida que o governo russo continua a aumentar os esforços para localizar o ecossistema digital, espera-se que esta disputa continue a fermentar. O conflito entre a Apple e a Rússia sobre distribuição de aplicativos e regras regulatórias pode não ser resolvido no curto prazo.