No Parque Nacional do Poé, na Guiné-Bissau, existem algumas árvores especiais numa savana. Os troncos das árvores estão cobertos de sinais de danos e pedras atiradas pelos chimpanzés são empilhadas ao pé das árvores. Este comportamento raro, denominado “apedrejamento cumulativo”, está a tornar-se uma pista importante para os cientistas que estudam a cultura e a comunicação dos primatas.
Os pesquisadores Robyn Nakano e Ammie Kalan, da Universidade de Victoria, foram recentemente à região para conduzir um estudo sistemático desse fenômeno. O estudo descobriu que esse comportamento está concentrado entre chimpanzés machos adultos, que repetidamente atiram pedras em árvores específicas. Este processo é frequentemente acompanhado por ruídos altos. Os chimpanzés emitem sons de "ofegação" de longa distância e cooperam com o comportamento de "bater raízes" ao bater nos troncos das árvores. Este comportamento peculiar foi até agora documentado em apenas quatro populações de chimpanzés na África Ocidental.

Os investigadores acreditam que esta é provavelmente uma característica cultural, uma vez que nem todas as populações apresentam este comportamento, mesmo sob condições de recursos semelhantes. Pesquisas anteriores especularam que este pode ser um meio de comunicação ou mesmo algum tipo de marcação territorial simbólica. No entanto, o significado preciso por trás deste comportamento e o seu verdadeiro papel na vida social dos chimpanzés permanecem um mistério.
Para descobrir a verdade, a equipe de pesquisa montou um campo de pesquisa na vila de Bailey, na região de Boe. Como os chimpanzés locais não foram domesticados pelos humanos e são cautelosos por natureza, os investigadores não conseguem realizar observações minuciosas no local. Para tanto, utilizaram câmeras infravermelhas e equipamentos de coleta de áudio para realizar um monitoramento abrangente do ponto de lançamento de pedras, e realizaram modelagem 3D e medições das árvores e pedras no local. Eles esperam inferir a mensagem social transmitida pelo comportamento analisando a idade e o sexo do lançador, bem como o feedback dos membros do grupo circundante.

É importante notar que essas árvores “favorecidas” pelos chimpanzés costumam ser usadas por até dez anos. Durante a investigação, a equipe de pesquisa descobriu que esta preciosa cultura de comportamento animal enfrenta graves ameaças. À medida que a mineração industrial, especialmente a mineração de bauxita, penetrou profundamente nos habitats dos chimpanzés, a perfuração e a perturbação ambiental causada pela exploração mineira deterioraram cada vez mais o habitat destes primatas.
Os especialistas apontaram que este não é apenas um estudo acadêmico sobre o comportamento animal, mas também relacionado à proteção do patrimônio cultural dos primatas. Embora a mineração de bauxite possa trazer benefícios económicos, a destruição do habitat e a poluição ambiental resultantes podem ter um impacto profundo tanto nos chimpanzés como na população local. Os investigadores apelam à necessidade de prestar mais atenção a estas raras evidências comportamentais, promover a protecção das espécies através da investigação científica e proteger este raro património natural e cultural quando a governação regional ainda é instável e a supervisão ambiental precisa de ser reforçada.