A Fundação Gates contratou o escritório de advocacia WilmerHale em março para conduzir uma revisão externa em resposta à divulgação de milhões de documentos relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA. Os resultados da análise, divulgada recentemente, mostram que entre 2011 e 2014, os líderes e funcionários da fundação reuniram-se com Epstein cerca de 30 vezes, incluindo o próprio Bill Gates. A revisão é baseada em entrevistas com mais de 50 funcionários atuais e antigos da fundação, incluindo Gates, e em uma revisão de vários materiais escritos relacionados.

O resumo do relatório afirma que a revisão não encontrou provas de que a fundação estivesse envolvida ou tivesse conhecimento das atividades de tráfico sexual ou conduta criminosa de Epstein, nem que a fundação soubesse na altura que Epstein estava a usar o nome da fundação para promover as suas atividades. Entretanto, a revisão não encontrou provas de que Epstein tenha recebido compensação da fundação. A reunião envolveu principalmente discussões sobre a potencial criação de uma entidade do Fundo Aconselhado por Doadores, o envolvimento dos doadores, a estratégia da Fundação contra a poliomielite e apresentações a iniciativas internacionais de paz.

Bill Gates disse em declaração pública que foi apresentado a Epstein em 2011 por meio de um consultor de confiança nas áreas profissional e filantrópica. O consultor ocupa cargos simultâneos na fundação e no escritório pessoal de Gates. Gates disse que Epstein afirmou ser capaz de arrecadar bilhões de dólares para a saúde global porque prestou serviços fiscais e imobiliários aos doadores. Gates reconheceu que estava ciente na época de que Epstein tinha antecedentes criminais, mas não entendia totalmente a gravidade de seus crimes, incluindo as confissões de culpa de Epstein em 2008 na Flórida por solicitação de prostituição e solicitação de prostituição de um menor. Gates disse que encerrou sua interação com Epstein em dezembro de 2014 e pediu desculpas pelo incidente em uma reunião de equipe em fevereiro.

A análise também observou que os funcionários da fundação alertaram repetidamente a liderança sênior, incluindo Gates, sobre os riscos de estarem associados a Epstein. Uma das reuniões ocorreu no campus da fundação e várias outras na residência de Epstein em Manhattan. Com base em entrevistas e registos disponíveis, a análise não concluiu que as reuniões não estivessem relacionadas com caridade ou envolvessem conduta ilegal. O relatório enfatiza que quando Gates começou a conversar com Epstein em 2011, ele estava ciente de seus problemas de reputação devido ao seu histórico de crimes sexuais.

Com base nos resultados da revisão, o conselho da Fundação Gates aprovou uma série de recomendações, incluindo o estabelecimento de um processo de revisão centralizado para intermediários, consultores de doadores, co-financiadores, etc., e o estabelecimento de um processo de escalada de risco organizacional do projecto. Gates enfatizou numa declaração terça-feira que a revisão é um passo importante para proporcionar clareza e aumentar a supervisão para parceiros, funcionários e beneficiários. A Fundação está empenhada em garantir que a confiança e a transparência não sejam comprometidas, uma vez que o seu trabalho para salvar vidas e criar oportunidades é mais importante do que nunca.