O aquecimento do clima causa ondas de calor oceânicas frequentes, praias europeias infestadas de águas-vivas

📅 2026-09-02

Resumo:

Afectadas pelo aquecimento anormal do oceano causado pelas alterações climáticas, um grande número de águas-vivas portuguesas apareceram recentemente nas praias ao longo das costas atlântica e mediterrânica da Europa. Esta espécie de sifonóforo, que normalmente habita águas tropicais, está a aparecer com mais frequência ao longo das costas europeias, desencadeando alertas de praia e incidentes de picadas de turistas.

A água-viva portuguesa é conhecida pelos seus sacos flutuantes translúcidos azul-púrpura ou rosa e pelos tentáculos pungentes com até 30 metros de comprimento. Embora não seja fatal, cerca de 10% das picadas requerem hospitalização. A praia de Arcachon, na costa atlântica da França, foi fechada à natação este mês devido à presença da espécie, e mais de mil picadas foram relatadas na costa basca nas últimas duas semanas. Alertas de praia também foram emitidos em San Sebastian, no norte da Espanha, e no departamento francês dos Pirenéus-Atlânticos. Segundo o Instituto Francês para o Desenvolvimento do Mar, a água-viva portuguesa tem aparecido a cada sete a oito anos na costa atlântica de França, em vez de aparecer todos os anos. Os pesquisadores expressaram “confusão” sobre isso.

Um estudo realizado por cientistas da World Weather Attribution Alliance mostra que sem o aquecimento global, as altas temperaturas dos oceanos na Europa são "quase impossíveis de ocorrer". As alterações climáticas causadas pela queima de combustíveis fósseis aumentaram a temperatura do Mar Mediterrâneo em cerca de 2 graus Celsius em Agosto, do Golfo da Biscaia e das águas circundantes da Península Ibérica em cerca de 1,4 graus Celsius, e do Mar da Irlanda e do Canal da Mancha em cerca de 1,3 graus Celsius. John Bruno, ecologista marinho da Universidade da Carolina do Norte, alertou que o calor extremo pode levar à morte em massa de peixes, aves marinhas e mamíferos marinhos, enquanto as medusas e espécies relacionadas são mais tolerantes ao aquecimento e reproduzir-se-ão em grande número durante algumas ondas de calor oceânicas.

Albert Calbet, investigador do Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona, ​​destacou que a contínua proliferação de medusas no contexto do declínio da vida selvagem marinha tornou-se uma questão de “preocupação crescente” para a comunidade científica marinha. A região do Mediterrâneo é a mais afectada pelas alterações climáticas, aquecendo cerca do dobro da média global.

As temperaturas globais da superfície do mar atingiram um recorde mensal em julho. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica afirmou que o fenómeno de aquecimento do El Niño no Pacífico deverá continuar até Maio de 2027 e pode ser o mais forte desde a década de 1950, o que intensificará ainda mais o efeito do aquecimento global. O Royal Wildlife Trust afirma que a espécie foi encontrada na Grã-Bretanha, no extremo norte de Cumbria, nos últimos anos.

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