Durante a estação chuvosa na floresta amazônica, são comuns chuvas fortes à tarde. A formação de nuvens e a precipitação dependem de pequenas partículas no ar chamadas núcleos de condensação de nuvens, que fornecem uma superfície para o vapor de água se condensar em gotículas de nuvens. Mas de onde vêm esses núcleos de nuvem? Uma equipa internacional de investigadores da Alemanha, Brasil, Suécia e China descobriu que as chuvas desencadeiam regularmente explosões de nanopartículas que podem transformar-se em núcleos de condensação de nuvens.
Os cientistas chegaram a essa conclusão analisando uma grande quantidade de dados de longo prazo sobre partículas de aerossol, gases-traço e condições meteorológicas fornecidos pelo Observatório da Torre Alto do Amazonas (ATTO). O ATTO está localizado nas profundezas da floresta amazônica, a cerca de 150 quilômetros a nordeste de Manaus, Brasil, e está equipado com instrumentos avançados e uma torre de medição de 325 metros de altura. É administrado por cientistas da Alemanha e do Brasil.
“As chuvas eliminam as partículas de aerossóis e introduzem ozônio da atmosfera na copa da floresta”, explica Luiz Machado, primeiro autor do estudo agora publicado na revista Nature Geoscience. “O ozônio pode oxidar compostos orgânicos voláteis emitidos pelas plantas, especialmente os terpenos, e os produtos da oxidação podem promover a formação de novas partículas, levando a explosões temporárias de nanopartículas”.
Os pesquisadores descobriram que as concentrações de nanopartículas eram mais altas acima da copa da floresta e diminuíam com a altura. O co-autor Christopher Pöhlker, líder do grupo de pesquisa do Instituto Max Planck de Química, acrescentou:"Este gradiente persiste durante toda a estação chuvosa, indicando que as partículas estão constantemente se formando na copa. As partículas recém-formadas fluem para cima, crescem absorvendo mais moléculas pouco voláteis e tornam-se núcleos de condensação de nuvens."
Moléculas de baixa volatilidade envolvidas na formação e crescimento de nanopartículas naturais na atmosfera incluem compostos orgânicos contendo oxigênio e nitrogênio formados pela oxidação de isopreno, terpenos e outros compostos orgânicos voláteis que são naturalmente emitidos pelas plantas e oxidados pelo ozônio e radicais hidroxila no ar.
Estudos anteriores detectaram a formação de novas partículas em fluxos de nuvens convectivas na alta troposfera e sugeriram que as nanopartículas recém-formadas fluíam para baixo, e não para cima.
O co-autor Ulrich Pöschl, Diretor do Instituto Max Planck de Química, concluiu: "Nossas descobertas representam uma mudança de paradigma na compreensão científica das interações entre a floresta amazônica, aerossóis, nuvens e precipitação, o que é importante para o clima regional e global."
Compilado de /ScitechDaily