Os astrónomos descobriram aquele que pode ser o maior buraco negro alguma vez descoberto – um com uma massa 36 mil milhões de vezes a do Sol. Este enorme buraco negro está localizado no centro da Galáxia da Ferradura no Universo, a cerca de 5 mil milhões de anos-luz de distância da Terra, e a sua massa é quase 10.000 vezes a do buraco negro no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea.
Cientistas da Universidade de Portsmouth e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil, colaboraram na pesquisa, publicada no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
As galáxias em ferradura cósmicas são notáveis pela sua massa massiva, que desvia a luz de galáxias mais distantes. Este fenômeno é conhecido como anel de Einstein e é daí que vem o nome da galáxia.
Os investigadores acreditam que buracos negros supermassivos deste tamanho são normalmente encontrados nas maiores galáxias do Universo, que são conhecidas como grupos de galáxias fósseis – os restos de várias galáxias mais pequenas que se fundiram ao longo do tempo. A Galáxia da Ferradura Cósmica é a única galáxia brilhante sobrevivente no grupo, sugerindo que já devorou outras galáxias no passado.
Para medir a massa de um buraco negro, os astrônomos usam duas técnicas. A primeira são as lentes gravitacionais, que estudam como a gravidade de uma galáxia curva a luz que passa. A segunda é a cinemática estelar, que analisa os padrões de velocidade e movimento de estrelas próximas a um buraco negro.

A ferradura cósmica é um dos melhores exemplos de anel de Einstein, uma galáxia lenticular formada pelo alinhamento preciso de duas galáxias.
Normalmente, rastrear o movimento das estrelas é a forma mais confiável de medir a massa de um buraco negro, mas este método é menos eficaz para galáxias muito distantes. Ao combinar a cinemática estelar e as lentes gravitacionais, a equipe conseguiu medir a massa dos buracos negros a distâncias maiores do que o normal.
Thomas Collette, professor da Universidade de Portsmouth e um dos autores do artigo, disse: “Este é um dos dez buracos negros mais massivos descobertos até agora e é provavelmente o buraco negro mais massivo”.
Collette explicou que a maioria dos métodos de medição das massas dos buracos negros são indiretos e muitas vezes sujeitos a incertezas, por isso os cientistas raramente sabem ao certo qual buraco negro é o maior. “Graças ao nosso novo método, no entanto, temos maior certeza sobre a massa deste buraco negro”, disse ele.
O buraco negro está atualmente adormecido, o que significa que não está a acumular ativamente nova matéria – o que torna a sua descoberta ainda mais notável. “Esta descoberta foi feita para um buraco negro adormecido – isto é, um buraco negro que não estava acumulando material ativamente no momento da observação”, disse o pesquisador principal da UFRGS, Carlos Melo. "A sua deteção depende inteiramente da sua enorme atração gravitacional e do seu impacto nos arredores."
Mello observou que o seu método pode ajudar os cientistas a descobrir e medir outros buracos negros supermassivos ocultos no Universo, mesmo que sejam silenciosos.
A equipa de investigação acredita que os buracos negros na “ferradura cósmica” cresceram até ao seu tamanho extremo atual através de uma série de fusões de galáxias. Num tal sistema, a galáxia e o seu buraco negro central combinam-se ao longo do tempo para formar um único buraco negro supermassivo.
"É provável que todos os buracos negros supermassivos que estavam originalmente em galáxias companheiras tenham agora se fundido para formar o buraco negro supermassivo que detectámos," disse Collette. "Estamos testemunhando o estado final da formação de galáxias e o estado final da formação de buracos negros."
A descoberta revela um buraco negro próximo do limite de massa teórico e demonstra uma nova forma poderosa de procurar buracos negros semelhantes. A equipa planeia agora combinar o seu método com dados do telescópio Euclides da Agência Espacial Europeia para procurar mais estrelas gigantes escondidas e estudar como esses buracos negros afectam o crescimento e a evolução das galáxias.