A Interpol anunciou recentemente que a operação antifraude global denominada “Operação Primeira Luz 2026” foi concluída com sucesso. Esta operação abrange 97 países e regiões em todo o mundo e visa reprimir severamente vários crimes de fraude de engenharia social, tais como fraude comercial de e-mail, fraude de telecomunicações, fraude de investimento, fraude de falso romance e extorsão. Durante a operação de 15 de Janeiro a 30 de Abril deste ano, a Interpol tratou de mais de 150.000 casos de fraude, encerrando 23.715 antros de crimes, prendendo 5.811 suspeitos de crimes e congelando com sucesso 31.014 contas bancárias envolvidas, interceptando activos ilegais num total de 293 milhões de dólares.

Esta operação revelou o sombrio status quo dos crimes de fraude transnacionais cada vez mais organizados e profissionalizados, afectando mais de 142.000 vítimas em todo o mundo. Tomanobu Takagi, chefe do Centro de Crimes Financeiros e Anticorrupção da INTERPOL, destacou que os grupos criminosos estão utilizando profundamente métodos de manipulação psicológica para fraudar as vítimas. Face a tais crimes transnacionais, nenhum país pode lidar com eles sozinho, e deve ser estabelecido um forte mecanismo de defesa global coordenado.

Durante a investigação, a polícia descobriu uma série de casos extremamente flagrantes. No país de Eswatini, no sul da África, a polícia desmantelou uma rede criminosa que administrava jogos de azar online ilegais, lavagem de dinheiro e personificação de funcionários públicos, e apreendeu 240 dispositivos eletrônicos no local, incluindo uma falsa delegacia de polícia brasileira altamente simulada. A quadrilha comprou um conjunto completo de uniformes, logotipos e equipamentos de escritório, disfarçou-se de policiais federais brasileiros e atraiu vítimas por meio de videochamadas, alegando falsamente que as vítimas estavam envolvidas em crimes e obrigando-as a transferir dinheiro para uma chamada "conta segura", e depois desviou ilegalmente o dinheiro.

Ao mesmo tempo, a criptomoeda está a tornar-se um importante meio de lavagem de dinheiro transnacional. Na Tailândia, a polícia descobriu com sucesso uma gangue de lavagem de dinheiro que usava “fraude romântica” para obter ganhos ilícitos através de duas prisões. Depois que os criminosos fraudam fundos por meio de romances online falsos, eles rapidamente os transferem por meio de múltiplas camadas de criptomoeda para evitar o rastreamento. A investigação mostrou que uma das pessoas envolvidas, que tinha apenas 20 anos, tinha uma carteira criptografada que processou mais de US$ 122 milhões em fundos em apenas dez meses.

Nesta série de ataques de alta pressão, o “Mecanismo Global de Intercepção de Pagamentos Rápidos” (I-GRIP) da Interpol desempenhou um papel fundamental. Através deste mecanismo, os Estados-Membros podem solicitar uma suspensão de pagamento de emergência assim que os fundos fraudulentos saírem. Num caso recente, a polícia de Singapura e Omã utilizou o sistema para impedir com sucesso uma transferência fraudulenta de e-mails comerciais, totalizando 6,6 milhões de dólares. Dado que os criminosos, as vítimas e os bancos onde residem os fundos estão frequentemente localizados em países diferentes, o funcionamento eficiente deste mecanismo é crucial para a intercepção de fundos ilícitos.

Embora a Interpol tenha lançado recentemente uma série de operações antifraude em grande escala, incluindo "Synergia III" e "Red Card 2.0", que reduziram significativamente as perdas de muitas vítimas individuais, a situação geral dos crimes de fraude globais permanece sombria. Os dados mostram que só em 2025, as perdas reportadas por fraude de identidade nos Estados Unidos chegarão a 3,5 mil milhões de dólares americanos, e o montante total da fraude atingirá 16 mil milhões de dólares americanos, um aumento significativo em relação ao ano anterior. Especialistas apontam que os crimes de engenharia social não dependem de meios técnicos complexos. Freqüentemente, exigem apenas um conjunto de palavras cuidadosamente elaborado e o julgamento incorreto das informações por parte da vítima, o que torna o limiar do crime extremamente baixo. Embora as agências responsáveis ​​pela aplicação da lei continuem a aumentar a sua repressão, o montante total de perdas por fraude em todo o mundo continua a aumentar.