O governo britânico acusou na quinta-feira uma unidade do Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia de usar ataques cibernéticos para minar “persistentemente, mas sem sucesso” as instituições democráticas britânicas. O ministro britânico da Câmara dos Comuns, Leo Docherty, disse num comunicado que o embaixador russo foi convocado para que o governo pudesse levantar a questão e sublinhou que a interferência política era inaceitável.
Desde 2015, centenas de pessoas, incluindo políticos de alto nível, foram alvo da campanha, que supostamente incluía a conta de e-mail pessoal do então ministro do Comércio, Liam Fox, em 2019.
O governo britânico atribui oficialmente o grupo, rastreado por várias empresas como Calisto, COLDRIVER ou StarBlizzard/SEABORGIUM, a funcionários que trabalham para o FSB Center 18 da Rússia.
Na manhã de quinta-feira, a Grã-Bretanha nomeou Ruslan Peretyatko e Andrew Korinets, funcionários do Centro 18 do FSB, identificados como membros do Grupo Callisto, e adicionou a dupla à sua lista de sanções cibernéticas.
Espera-se que os Estados Unidos e a União Europeia emitam declarações de apoio ainda na quinta-feira.
No caso de Liam Fox, o Grupo FSB vazou e ampliou seletivamente as informações roubadas, que foram posteriormente citadas pelo líder da oposição Jeremy Corbyn durante as eleições gerais de 2019 no Reino Unido.
O governo britânico já acusou a Rússia de tentar interferir nas eleições de 2019 “amplificando online documentos governamentais obtidos ilegalmente e vazados”.
Na altura, o governo russo, que também foi acusado de tentar interferir nas eleições americanas e francesas, negou as acusações britânicas.
Autoridades em Westminster descreveram consistentemente a intervenção da Rússia no país como “malsucedida”, embora esta avaliação tenha sido criticada.
Já em Fevereiro de 2019, os deputados da comissão parlamentar que investigava a interferência russa queixaram-se de que "a palavra 'sucesso' é impossível de definir em retrospectiva".
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