A Apple anunciou na quinta-feira, horário local, que fará ajustes significativos nas regras de distribuição e pagamento de aplicativos iOS no Brasil, permitindo que os desenvolvedores distribuam aplicativos para iPhone por meio de mercados de aplicativos alternativos autorizados pela Apple e apoiarão o uso de plataformas de pagamento de terceiros para concluir transações dentro do aplicativo ou por meio de links externos. Isso significa que os desenvolvedores no Brasil podem contornar os canais de distribuição tradicionais da App Store e o próprio sistema de compra no aplicativo da Apple até certo ponto, mas ainda precisam pagar taxas relacionadas ao Apple Pay.

De acordo com o plano anunciado pela Apple, os mercados de aplicativos de terceiros que operam no Brasil devem ser autorizados pela Apple e continuar atendendo aos requisitos de conformidade por ela estabelecidos. Para aplicativos que continuam listados na App Store, os desenvolvedores podem integrar métodos de processamento de pagamentos que não sejam da Apple no aplicativo e também podem adicionar links dentro do aplicativo que direcionam para sites externos para concluir transações. As alterações acima estarão disponíveis para usuários com iOS 26.5 e versões posteriores, e o pano de fundo direto está relacionado às ações de fiscalização por parte do regulador de concorrência brasileiro. A Apple lançou uma página explicativa especial em seu site oficial para desenvolvedores brasileiros fornecerem uma interpretação mais detalhada das regras e detalhes de implementação.

A Apple enfatizou em sua declaração que, embora esta iniciativa de abertura melhore as escolhas dos desenvolvedores, também trará novos riscos de privacidade e segurança para os usuários, incluindo crianças. Para tanto, a empresa introduziu uma série de mecanismos de segurança de apoio, incluindo o processo de reconhecimento de firma para aplicativos iOS, o processo de revisão de autorização para o próprio mercado de aplicativos e restrições de saltos de contas de menores para links externos e uso de pagamentos alternativos. A Apple disse que essas medidas foram projetadas para encontrar um equilíbrio entre os requisitos regulatórios e a proteção do usuário.

Antes do Brasil, a Apple abriu lojas de aplicativos de terceiros e/ou sistemas de pagamento de terceiros em graus variados na UE, no Japão e na Coreia do Sul em resposta à concorrência local e às regulamentações do mercado digital. A indústria prevê que, à medida que legislações e regulamentações semelhantes avançam no Reino Unido e na Austrália, a Apple provavelmente será forçada a adotar ajustes semelhantes aos do Brasil e da UE nesses mercados.

Em termos de estrutura de taxas, a Apple também ajustou simultaneamente seu sistema de comissões para desenvolvedores brasileiros. Para aplicativos iOS que continuam a ser distribuídos através da App Store, o limite de comissão para bens e serviços digitais foi reduzido do máximo anterior de 30% para um máximo de 21%. Os desenvolvedores qualificados também podem reduzir a comissão real para cerca de 10% por meio do "Programa para Pequenas Empresas", "Programa de Parceiros de Vídeo", "Programa de Parceiros do Mini Programa" etc. Se o aplicativo ainda usar o sistema de compra no aplicativo da App Store, uma taxa adicional de 5% será cobrada além do valor acima.

Para situações em que links externos na App Store direcionam os usuários a sites para concluir transações de bens e serviços digitais, as transações relevantes exigem uma comissão de 15% do Apple Pay no Brasil, que também pode ser reduzida para 10% em alguns casos. Para aplicativos distribuídos inteiramente fora da App Store para usuários brasileiros de iOS por meio de mercados de aplicativos de terceiros, a Apple cobrará uma “comissão de tecnologia básica” de 5% sobre aplicativos pagos e bens e serviços digitais no aplicativo. A Apple disse que a taxa é usada para reembolsar os custos de fornecimento de ferramentas de desenvolvimento, infraestrutura técnica e serviços relacionados na plataforma iOS.

Em termos de cronograma de implementação do sistema, a Apple exige que todos os desenvolvedores atualmente participantes do Apple Developer Program concordem com o Contrato de Licença do Programa para Desenvolvedores atualizado até 6 de julho de 2026, o mais tardar, que incorpora os termos de abertura de canais de distribuição alternativos e opções de pagamento no Brasil. Os desenvolvedores que não aceitarem os novos termos dentro do prazo poderão ter seus aplicativos distribuídos e atualizados no mercado brasileiro afetados no futuro.