A Starlink, de propriedade de Elon Musk, anunciou que fornecerá serviços gratuitos de Internet de banda larga para usuários venezuelanos até 3 de fevereiro, depois que os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra a Venezuela e prenderam o líder deposto Nicolás Maduro. A Starlink disse em um aviso emitido no domingo que alocou proativamente deduções de serviço para contas locais ativas e desativadas e continuará a ajustá-las com base no desenvolvimento da situação e nos requisitos regulatórios. O edital destacou ainda que atualmente não há cronograma para abertura de canais formais de vendas localmente. Caso haja alterações, elas serão anunciadas diretamente ao mundo exterior através dos canais oficiais.

Starlink é uma empresa da Space Exploration Technology Company (SpaceX). Fornece serviços de acesso à Internet aos usuários por meio de constelações de satélites de baixa órbita. Os usuários precisam adquirir equipamentos terminais especiais para se conectar à rede. O mapa de cobertura no site oficial da Starlink mostra que a Venezuela ainda está marcada como “em breve”, o que significa que a empresa ainda não o lançou oficialmente localmente, mas atualmente existem alguns usuários ativos.

A expansão do serviço gratuito é vista como um meio de ajudar a manter as comunicações dentro da Venezuela após as operações militares dos EUA. Anteriormente, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos e terrestres contra a Venezuela em 3 de janeiro, prendendo o deposto Maduro e levando-o aos Estados Unidos para julgamento por acusações que incluíam “narcoterrorismo” e manipulação eleitoral. Washington disse que os principais alvos da operação daquele dia estavam concentrados na capital Caracas, e envolveram também os estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Após os ataques aéreos, houve relatos de cortes de energia e internet em partes de Caracas, e alguns meios de comunicação locais também mencionaram que o estado de Miranda também sofreu cortes de energia no fim de semana. Neste contexto, considera-se que os serviços Starlink, que podem contornar a infraestrutura local e fornecer acesso diretamente através de satélites, ajudam a aliviar o problema de obstrução das comunicações.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os Estados Unidos liderarão o processo de transição da Venezuela, mas os detalhes permanecem obscuros e há preocupações sobre um vácuo de poder no país. Trump também anunciou que a então vice-presidente Delcy Rodriguez havia sido empossada como novo presidente após a prisão de Maduro, mas também ameaçou que os Estados Unidos poderiam lançar uma segunda rodada de ataques contra o país se a nova liderança venezuelana "desobedecesse às regras".

Quanto à legalidade desta operação militar, o Conselho de Segurança das Nações Unidas planeia realizar uma reunião no dia 6 de janeiro para discutir. Alguns aliados dos EUA, incluindo Brasil e Espanha, condenaram publicamente a operação, acusando-a de violar o direito internacional e de cruzar uma “linha inaceitável”.

A Venezuela não é a primeira área de conflito em que a Starlink interveio. Anteriormente, na Ucrânia, a Starlink também forneceu acesso à Internet via satélite para substituir a infraestrutura danificada quando a invasão do exército russo causou sérios danos à rede de comunicação terrestre. Os primeiros serviços da Starlink na Ucrânia foram custeados principalmente pela empresa às suas próprias custas, mas a partir de junho de 2023, serão financiados por contratos do Departamento de Defesa dos EUA.

Até o momento, a Starlink não divulgou o número específico de usuários na Venezuela, nem informou o custo total deste serviço gratuito. No entanto, em meio ao atual cenário de turbulência política e infraestrutura danificada, a mudança coloca a Starlink mais uma vez no centro das atenções da geopolítica e das comunicações em tempos de guerra.