Uma equipa de investigação da Universidade de Adelaide, na Austrália, divulgou recentemente um novo estudo que afirma que os investigadores estão a explorar novas formas de utilizar a energia solar para converter resíduos de plástico em hidrogénio, gás de síntese e outros produtos químicos industriais, tentando enfrentar ao mesmo tempo os dois desafios globais da poluição plástica e da energia limpa. Esta pesquisa foi liderada por Xiao Lu, estudante de doutorado na Universidade de Adelaide, e os resultados relevantes foram publicados em "Chem Catalysis".

Pesquisas apontam que a produção global anual de plástico ultrapassou 500 milhões de toneladas, das quais milhões de toneladas acabam no ambiente natural. Ao mesmo tempo, à medida que a pressão global para reduzir as emissões continua a aumentar, tornou-se cada vez mais urgente encontrar soluções de energia limpa que possam substituir os combustíveis fósseis. Neste contexto, a equipa de investigação acredita que os plásticos ricos em carbono e hidrogénio não devem apenas ser vistos como um fardo ambiental, mas também podem ser redefinidos como um recurso explorável.

Segundo os pesquisadores, essa rota técnica é chamada de “reforma da luz movida a energia solar”. O princípio básico é usar materiais fotocatalíticos sensíveis à luz para decompor plásticos a temperaturas relativamente baixas e, no processo, gerar hidrogênio e outros produtos químicos de valor industrial. Entre eles, o hidrogénio é amplamente considerado um dos combustíveis limpos importantes porque quase não produz emissões no final da utilização.

Este método requer menos energia do que a divisão tradicional da água para produzir hidrogênio porque os materiais plásticos são mais suscetíveis à oxidação. A equipe de pesquisa disse que esse recurso significa que a tecnologia pode ser mais realista e viável para aplicação em larga escala no futuro. Resultados de pesquisas recentes mostram que alguns sistemas não só alcançaram alta eficiência na produção de hidrogênio, mas também podem gerar simultaneamente hidrocarbonetos nas faixas de ácido acético e diesel; alguns dispositivos foram operados continuamente por mais de 100 horas e mostraram melhoria contínua em estabilidade e eficiência.

No entanto, os investigadores também admitem que esta tecnologia ainda está longe de ser amplamente implementada. Um dos principais obstáculos é que a própria composição dos resíduos plásticos é complexa. Diferentes tipos de plásticos se comportam de maneira diferente durante o processo de conversão, e aditivos como corantes e estabilizantes também podem interferir no processo de reação. Portanto, para melhorar o desempenho geral e a qualidade do produto final, a classificação eficiente e as ligações de pré-processamento ainda são indispensáveis.

Além disso, como projetar fotocatalisadores com desempenho mais forte também é um dos focos das pesquisas atuais. A equipe de pesquisa destacou que tais materiais não devem apenas ter alta seletividade, mas também manter a durabilidade em ambientes químicos complexos e agressivos para evitar a degradação da eficiência ao longo do tempo. Segundo os pesquisadores, ainda existe uma lacuna clara entre os resultados laboratoriais atuais e as aplicações no mundo real. Catalisadores mais robustos e projetos de sistemas mais maduros serão necessários no futuro para permitir que esta tecnologia atenda aos requisitos de industrialização em termos de eficiência e economia.

Além do próprio processo de reação, a separação do produto também é um grande problema. Uma vez que o processo produz frequentemente uma mistura de gases e líquidos, a purificação subsequente requer frequentemente mais energia, enfraquecendo assim o desempenho geral da sustentabilidade. Para resolver estas questões, os investigadores recomendam uma abordagem mais sistemática e abrangente que combine o design do catalisador, a engenharia dos reactores e a optimização geral do sistema, e explore ainda mais os reactores de fluxo contínuo, os sistemas que acoplam a energia solar à energia térmica ou eléctrica, e métodos de monitorização de processos de alto nível.

A equipa de investigação também traça o caminho futuro de amplificação desta tecnologia, visando alcançar maior eficiência energética nos próximos anos e promover o desenvolvimento do sistema para uma operação industrial contínua. Os investigadores dizem que, com a inovação contínua, espera-se que a tecnologia de “plástico para combustível” movida a energia solar desempenhe um papel importante na construção de um futuro sustentável e de baixo carbono.