O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Kahl, negou publicamente na quinta-feira que a Casa Branca o tivesse pressionado para lançar uma revisão antecipada da licença da estação de televisão ABC da Disney. Ele enfatizou que a medida decorre de uma investigação que está em andamento há mais de um ano e não tem nada a ver com a recente controvérsia em torno dos comentários do apresentador de talk show Jimmy Kimmel.

Carr disse na conferência de imprensa da FCC: "Esta é uma decisão que tomamos dentro da agência com base no progresso da aplicação. Não houve pressão externa, nenhuma sugestão externa e nenhum pedido externo de ação". Ele ressaltou que a decisão foi baseada em uma investigação de longo prazo da política de “diversidade, igualdade e inclusão” da Disney, e a agência acredita que a Disney “não foi suficientemente sincera ao enviar documentos e parecia estar nos pregando peças”.
Apenas um dia antes de a FCC entrar em ação, o presidente dos EUA, Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, haviam acabado de pedir publicamente à ABC que demitisse Kimmel porque ele disse no programa que Melania tinha um "brilho de quase viúva". Esta estreita ligação temporal levantou questões generalizadas sobre a utilização que o governo faz das agências reguladoras para reprimir os críticos políticos.
Sérias divisões também surgiram dentro da FCC. O único comissário democrata da agência classificou a medida como “um pretexto claro” e “a violação mais flagrante da Primeira Emenda”. Até mesmo alguns republicanos têm reservas quanto a isso. O presidente do Comitê de Comércio do Senado disse: “O dever da FCC não deveria ser atuar como uma polícia do discurso”. Esta revisão inicial envolve oito estações de televisão locais da ABC em grandes cidades como Nova Iorque e Los Angeles, cujas licenças estavam originalmente programadas para expirar entre 2028 e 2031.