Novas descobertas do Laboratório Cold Spring Harbor (CSHL) lançam uma nova luz sobre o câncer de pâncreas. Os investigadores descobriram que o cancro do pâncreas desencadeia uma resposta imunitária, contradizendo ideias anteriores de que o cancro do pâncreas suprime a imunidade. O estudo concentrou-se no adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC) e revelou respostas consistentes de anticorpos entre os pacientes, o que poderia fornecer novos caminhos para o desenvolvimento do tratamento.

Como pós-doutorado no laboratório do professor Douglas Fearon da CSHL, Min Yao estudou células cancerosas pancreáticas (foto acima em vermelho) para entender melhor como elas interagem com o sistema imunológico. Phelan observou que esta investigação básica não seria possível sem o generoso apoio da Fundação Simons. Crédito da imagem: Laboratório Fearon/Laboratório Cold Spring Harbor

Mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas são atribuídos a uma doença agressiva e fatal chamada adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC). Os pesquisadores sabem muito pouco sobre como nosso sistema imunológico interage com o PDAC. Portanto, propor tratamentos pode ser complicado. Pensa-se que os pacientes não apresentam uma resposta imunitária natural ao cancro porque o ambiente do tumor de alguma forma impede esta resposta. Muitas pessoas simplesmente não acreditam que o PDAC interaja com o sistema imunológico.

Os cientistas do CSHL confirmaram agora que o câncer de pâncreas desencadeia uma resposta do nosso sistema imunológico. No entanto, as células T que ajudam a combater a maioria das doenças têm dificuldade em se infiltrar nos tumores PDAC. Essas descobertas podem ajudar a orientar esforços futuros para desenvolver tratamentos.

No estudo, o professor Douglas Fearon da CSHL trabalhou com uma equipe que incluía o autor principal Min Yao, o professor Matthew Weiss da Zucker School of Medicine e a participante do projeto CSHL Partners for the Future Sophia Shen da Cold Spring Harbor High School. Eles primeiro procuraram encontrar um neoantígeno que estivesse presente apenas em tumores PDAC e não em tecido normal. O corpo produz células chamadas anticorpos que reconhecem antígenos específicos e ajudam a destruí-los. A identificação de novos antígenos PDAC poderia ajudar a explicar por que alguns pacientes apresentam melhores resultados do que outros.

Descobertas e impactos inesperados

A equipe de pesquisa sequenciou células plasmáticas em amostras de tumores pancreáticos de sete pacientes da NorthwellHealth. Eles então criaram anticorpos sintéticos baseados nessa sequência. A ideia é que os anticorpos sintéticos levem a equipe a buscar novos antígenos PDAC por trás da resposta imunológica do organismo. Mas eles não encontraram o que procuravam. Em vez disso, encontraram 25 anticorpos que respondiam a antígenos produzidos por células cancerígenas e células normais do corpo, e esses anticorpos eram consistentes entre os pacientes.

“Fiquei surpreso com a clareza dos dados, pois tínhamos muitos anticorpos reagindo ao mesmo antígeno de vários pacientes”, disse Phelan.

Anteriormente, os pesquisadores pensavam que o câncer de pâncreas suprimia a imunidade. Alguns estão até a explorar a vacinação como uma possível solução. Com base nas conclusões da sua equipa, Phelan disse que esta estratégia pode não ser necessária.

“O câncer de pâncreas não é imunologicamente silencioso. Essa é a mensagem”, explicou Phelan. “Os tumores pancreáticos já são imunogênicos. Enfrentamos o desafio de obter a resposta imunológica para atacar o câncer”.

Agora que os cientistas compreendem melhor o problema, podem tentar desenvolver soluções viáveis. Este é um progresso real e um desenvolvimento bem-vindo para a comunidade do cancro do pâncreas.